segunda-feira, 15 de outubro de 2012

QUANDO A CRUZ RELATIVIZA A VIDA

Tenho sido tomado por um sentimento profundo em minha alma. Não sei explicar nem descrever o que tenho sentido. Uma mistura de dor, ansiedade, angústia, e ao mesmo tempo alegria, paz e amor. Tenho sido constrangido pelo amor de Deus. Tenho sido constrangido pelo amor de Deus a amar meus irmãos. Deus tem colocado em mim um sentimento tão profundo de amor pelo Evangelho, por Sua Graça, por Sua Misericórdia e principalmente pela Cruz de Cristo, sendo ela a razão deste sentimento em mim.


Nos últimos dias, não tenho conseguido orar. Pela manhã, quando direciono minha atenção a Deus, me faltam palavras. Não consigo pedir nada, não consigo dizer nada, só consigo dizer: “obrigado Jesus”. Porém, quando estou ministrando alguém, ou pregando na Fundação CASA, ou na Comunidade Terapêutica ou na Igreja, as palavras fluem de meu interior como um rio em direção ao oceano. Mas, por mim mesmo não consigo orar ou pedir nada.

Tenho tido apenas um único interesse, a saber: Conhecer mais sobre a Cruz de Cristo, o Amor de Deus nela revelada. Este interesse tem permeado minha vida, minha alma, tem ocupado minha mente.

Para alguns pode parecer nostálgico, mas para mim, ao mesmo tempo em que tem sido perturbador, tem sido amenizador de meus ânimos, acalentador da minha alma, agasalhador da minha fé, e o firme fundamento da minha vida.

Não há interesse nenhum de minha parte em falar de outra coisa ou pregar outro tema que não seja este: A Cruz de Cristo!

Este é o cerne do Evangelho. Aqui está o centro gravitacional da vida. Se é que pode existir um centro da vontade de Deus, é este: A Cruz de Cristo! Pois ela chega relativizando nossas vidas, nossas vontades, nossos ideais, nossas verdades. Faz com que todas elas sejam redirecionadas a partir dela mesma.

Vejo que os homens que se tem chamado de “evangélicos” perderam a essência do Evangelho. Seus líderes têm reduzido a Graça de Deus a pequenas coisas materiais do cotidiano humano – carros, casas, finanças – como se o sentido da vida estivesse nestas quinquilharias circunstanciais.

Já não há temor na pregação. Já não há um sentido, uma mensagem, um caminho, um objetivo conforme Paulo nos informa, quando diz que “devemos prosseguir para o alvo, para o prêmio da soberana vocação que está em Cristo Jesus, o nosso Senhor”.

Aliás, quem creu na pregação? Creu em qual pregação?

Tanto Isaías, quanto Paulo citando Isaías nos diz que a pregação é o conteúdo inegociável da fé que gera vida, e nos faz caminhar, e nos gloriar-nos nas tribulações sabendo que elas produzem a paciência, e esta gera experiência, resultando em perseverança, e desemboca na esperança, cuja esperança não nos confunde, antes, nos afirma no amor que nos foi derramado mediante o Espírito de Deus que nos foi outorgado.

Reduzimos a pregação do Evangelho a campanhas da vitória, jejuns temáticos, cultos temáticos, mensagem dirigida, barganhas com Deus, propósitos e esqueminhas religiosos.

Oro, para que o temor seja instaurado em nossos corações; para que o conteúdo essencial do Evangelho seja cravado em nossas almas; para que a única mensagem a ser compartilhada seja a Cruz de Cristo; que o objetivo do homem seja unicamente “...conhecer e prosseguir em conhecer o Senhor...” que os foi revelado em Cristo Jesus.

Na Graça Dele, em quem a minha alma tem habitado em contradição, perturbação e ambigüidade; mas sincera e devotamente cheia de amor e gratidão a Ele.

Juliano Marcel
Bragança Paulista-SP
15/10/2012




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terça-feira, 9 de outubro de 2012

O CONTEXTO FAMILIAR COMO CENTRO TERAPÊUTICO DO MENOR INFRATOR



Palestra realizada no auditório da OAB Bragança Paulista no dia 28/09/2012, para familiares e responsáveis por menores que estão cumprindo medidas sócio-educativas em regime fechado na Fundação C.A.S.A., e menores em medida de L.A. (Liberdade Assistida). Com a presença de técnicas responsáveis pelo acompanhamento dos familiares e menores – psicólogas e assistentes sociais.

  
A primeira coisa que devemos ter em mente neste momento, e dentro do contexto pelo qual estamos aqui – a infeliz opção dos filhos pelas drogas e o crime – é que esta realidade é uma maldição em nossas vidas (maldição=desgraça).

Já que estamos aqui, e em família, podemos refletir sobre o que é esta instituição para nós, e suas finalidades.

O ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), no CAPÍTULO III - DO DIREITO À CONVIVÊNCIA FAMILIAR E COMUNITÁRIA – na Seção I, em Disposições Gerais, diz:

“Art. 19. Toda criança ou adolescente tem direito a ser criado e educado no seio da sua família e, excepcionalmente, em família substituta, assegurada a convivência familiar e comunitária, em ambiente livre da presença de pessoas dependentes de substâncias entorpecentes”.

“Art. 22. Aos pais incumbe o dever de sustento, guarda e educação dos filhos menores, cabendo-lhes ainda, no interesse destes, a obrigação de cumprir e fazer cumprir as determinações judiciais”.

Ou seja, mediante os órgãos públicos, temos a obrigação da manutenção, estruturação e criação de um ambiente familiar que propicie o desenvolvimento familiar de forma saudável.

Porém, é um princípio natural e inato a todo ser humano que, ao estabelecer uma família, deve prover a ela este bem-estar.

O que eu gostaria de conversar com vocês hoje, é justamente sobre a nossa compreensão desta realidade – a família – e sobre os princípios que estabelecemos em nossas vidas, para que esta seja um lugar seguro, formador, desenvolvedor e terapêutico de seus membros.

Como poderíamos descrever a importância da instituição Família?

“A família é a célula máter da sociedade. Sem famílias, não haverá sociedade”.

“A família é o ponto de partida de todos os relacionamentos; ela é a economia sócio-comportamen­tal ideal. Não existe outra que se compare a ela. É a oficina modeladora do caráter”.

“O que se aprende na vivência do lar permanece para toda a vida. É o espaço para o crescimento pessoal e coletivo”.

“É na família que está a força e o poten­cial da sociedade. O crescimento saudável da sociedade depende da edificação da família. Ela é a pedra angular da sociedade. Nenhuma civilização sobreviveu à sua dissolução”.

“Sem a família, nenhuma instituição pode realizar seu propósito es­sencial. A família é o agente integrador de grupos, o estabilizador emocional e o corretivo psicológico”.

“A família é o centro de promoção e o laboratório de desenvolvimentos cultural, social e humano pela sua própria vocação. A família é uma Instituição criada por Deus (Gn 1.26-31; 2.18-25)”.

O que poderá fazer o Estado em favor de uma sociedade sem famílias?

Não basta haver progenitores ou agentes legais de paternidade e maternidade. O que falta mesmo é a velha e saudável noção de família, de casamento, de educação, de respeito, de reverencia pelos mais velhos; e, sobretudo, falta a certeza de que pai e mãe são para sempre.

Porém, temos visto sinais na família, que vai acabando, morrendo, e que se desfaz em desrespeito e falência afetiva.

Algumas perguntas para reflexão:

Como vai a sua família? Que lugar ela ocupa em sua lista de prioridades? Qual o investimento que você tem feito na sua edificação? Que nota você daria para a sua família hoje? A mensagem que estarei compartilhando com vocês tem relação com as respostas para as perguntas acima.

Como a família pode ser o centro terapêutico na vida do menor infrator?

Precisamos, primeiramente, compreender que somos pessoas que se relacionam em quatro esferas distintas, porém, que se integram na formação individual:

1º SOMOS SERES INDIVIDUAIS – Somos pessoas com vontades individuais, singulares, particulares e etc.

Não podemos querer que nossos filhos sejam nossas fotocópias. Não há a possibilidade de que nossos filhos sejam idênticos a nós; pensem como nós pensamos; respondam à vida como reagimos. Jamais conseguiremos que nossos filhos sejam como nós. Cada indivíduo é singular, tem sua identidade, precisa desenvolver suas características pessoais.

2º SOMOS SERES FAMILIAR – Pessoas com um contexto familiar, pai, mãe, filhos e etc.

Participamos desta instituição chamada família. Nosso relacionamento imediato com o mundo acontece a partir da nossa família. Nossa visão do mundo se estabelece também a partir da nossa família.

3º SOMOS SERES COMUNITÁRIOS – Pessoas que se relacionam com determinadas comunidades: igrejas, associações, instituições e etc.

Participamos de atividades ajudará no desenvolvimento pessoal em instituições como escola, igrejas, associações.

4º SOMOS SERES SOCIAIS – Pessoas que se relacionam e tem responsabilidades com uma sociedade comum, com seus conjuntos de leis e regras.

Participamos de um contexto coletivo, de uma sociedade que dispõe de regras para o bem-viver comum.

Se nossas vidas se subdividem basicamente nestas quatro esferas distintas, o que determina basicamente a relação do indivíduo de forma saudável com todas elas é o seu contexto intra-familiar e extra-familiar.

Intra-Familiar: É a relação que o indivíduo desenvolve com os membros de sua família, dentro de sua casa, no interior da sua casa. É o que ele aprende, como se sociabiliza, como trata o pai, a mãe, os irmãos. É neste contexto que é formado e desenvolvido o caráter e a personalidade do indivíduo. O que ele aprende dentro deste contexto determinará como ele se relacionará com as pessoas e áreas fora deste contexto familiar.

Por exemplo: Vejo crianças pequenas de quatro ou seis anos que falam palavrões. Onde eles aprenderam palavras tão baixas? Onde eles escutaram? É o pai que pega a criança pequena e leva ela para o bar enquanto bebe com os amigos. O que ele irá aprender? É a mãe que não sabendo estabelecer sua autoridade, grita com os filhos e os chamam de vários nomes (vagabunda, burra, ameaçando lhe dar uma surra, sem contar os palavrões) utilizando este método como meio educativo.

Extra-Familiar: Neste sentido, o indivíduo se relaciona com pessoas fora de seu contexto familiar. Porém, sua relação é determinada pelo aprendizado intra-familiar. Dependendo de como foi esta relação intra-familiar, o indivíduo se relacionará de forma saudável ou não com as pessoas e entidades fora de seu contexto familiar.

Se seu ambiente familiar foi um ambiente opressor, abusivo, agressivo, assim será sua relação com os de fora. Vejo muitas crianças que desenvolvem problemas sérios de relacionamento fora de casa, porque foram vítimas de agressões, de abusos, de torturas psicológicas dentro de casa.

Vejo adolescentes que buscam fora de casa, na rua, junto aos pares, uma afirmação pessoal, uma aceitação, uma identidade, justamente porque sua relação intra-familiar foi doentia e irresponsável por parte de seus responsáveis.


Como vimos, é no seio familiar que o indivíduo é formado.

Qual o contexto familiar que estamos formando em nossas casas?

1º BOAS INTENÇÕES NÃO SÃO SUFICIENTES

Não basta termos boas intenções em nossas famílias, com nossos filhos. Boas intenções não educam, não formam caráter, não desenvolvem personalidade. Boas intenções não passam de meras suposições, se não forem colocadas me práticas. Não basta queremos que nossos filhos cresçam, estudem, se formem na Faculdade, se tornem um homem/mulher responsável, se estas boas intenções se transformarem em atitudes saudáveis que auxiliem no desenvolvimento direto da vida dos nossos filhos.

2º TEMOS QUE SER CAPAZES DE TRANSFORMAR NOSSAS BOAS INTENÇÕES EM INVESTIMENTO DE VIDA NA EXISTÊNCIA DOS FILHOS

Temos que ser capazes de aplicar nossas boas intenções em ações. Não podemos ficar sonhando. Não podemos ficar inertes e ver nossos filhos crescerem e já apresentarem desvios comportamentais e achar que isso é normal, é fase, vai passar. Como diz o adágio popular: “De boas intenções o inferno está cheio”. Não adianta você ter os sonhos que tem, nem apenas fazer as orações que faz, nem apenas guardar e juntar dinheiro para o bem de seus filhos. É preciso investir vida na vida de seus filhos.


3º NOSSAS PRINCIPAIS ÁREAS DE FRAQUEZAS SÃO CLARAMENTE PERCEBIDAS NAS NOSSAS RELAÇÕES COM NOSSOS FILHOS

A forma com que nos relacionamos com nossos filhos evidenciam justamente as nossas próprias áreas de fraquezas. Talvez nós tenhamos sido vítimas de um contexto familiar disfuncional, e fomos feridos, e agora, com nossas famílias estamos transferindo esta ferida para os nossos filhos. Não queremos acreditar que nossos filhos estão envolvidos com drogas, com o tráfico, imaginamos que os culpados são os filhos da vizinha, os adolescentes da esquina, sem saber que muitas vezes o pior dentre todos eles são os nossos filhos.
  

O que precisamos compreender então para construirmos uma família saudável?
  

1º NÃO PODEMOS TRANSFERIR RESPONSABILIDADES INTRANSFERÍVEIS

Minha pergunta a você é: pra quem é que você está transferindo a responsabilidade de administrar a alma de seus filhos? Para o avô? Para os filhos mais velhos? Para a escola? Para a Fundação CASA? Para a rua? Para quem? Para a diretora da escola?

Essa responsabilidade é intransferível. O filho é seu. A filha é sua. A alma deles vai ser cobrada de você. De que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a alma de seu filho? De que adianta viver trabalhando incansavelmente pra trazer sustento para casa, mas ter uma filha desgraçada ou um garoto arruinado em casa, viciado em drogas, envolvido com o tráfico e com o crime?

2º TEMOS QUE TER A CORAGEM DE CONFRONTAR NOSSOS FILHOS

Creio que não haja pais ou mães cegos; no entanto, há pais e mães que não querem ver, que têm medo de encarar o filho e o problema, que têm medo de confrontar os filhos com a verdade, que têm medo de não saber como conduzir o problema, de como ajudar a solucionar.

Temos que ter a coragem de estabelecer limites para nossos filhos. Limites saudáveis, com o cuidado com suas vidas. Temos que tomar as rédias das nossas famílias. Enquanto ficarmos achando que o culpado é o traficante da esquina, que é má influência dos amigos, que é fase de rebeldia, nossos filhos se desgraçarão, passarão a infância e adolescência internados em uma Fundação CASA, e correremos o risco ver a vida de nossos filhos serem ceifadas prematuramente. E quando isso acontecer, não haverá justificativas para ficar chorando em cima do caixão de seu filho, culpando Deus e o mundo, dizendo que é injustiça.

Tenha uma atitude hoje e agora, enquanto ainda há tempo. Enquanto seu filho ainda é menor, enquanto ele ainda mora debaixo do seu teto, enquanto você ainda é o provedor de sua casa.

Eu não tenho receitas para soluções de problemas familiares, mas, em qualquer caso, a omissão não vai resolvê-los, o tempo não vai solucioná-los.

Por que temos receio de confrontar nossos filhos? Medo? Talvez culpa? Culpa por saber que não fomos os pais que deveríamos ser? Por saber que deixamos eles crescer sem limites? Que não disciplinamos quando necessário? Que mimamos demais nossos filhos?

No fundo, sabemos que grande parte da responsabilidade de nossos filhos estarem onde estão hoje, é nossa enquanto pais e responsáveis.


No início, falamos que esta realidade se tornou como MALDIÇÃO em nossas vidas e na sociedade.

Eu gostaria de compartilhar com vocês um texto bíblico que diz que existe uma maneira desta maldição não assolar nossas famílias: “... quando o coração do pai se converter ao seu filho, e coração do filho se converter ao seu pai, Deus extinguirá a maldição da Terra”. (Malaquias 4:6)

Que Deus possa ajudá-los a expurgar as amarguras da alma, a exorcizar o prazer sádico da vingança, o masoquismo da autocomiseração. Que Deus os ajude a enxergar o valor da família, a preciosidade da relação ente um pai e um filho, entre uma mãe e uma filha. Que você possa dar valor não ao que tem dentro de casa, mas dar valor ao que você pode construir dentro dela.

1.   Não podemos transferir responsabilidades intransferíveis.

2.   Nós não queremos ser capaz de vencer o mundo, mas não saber confrontar os filhos, olho no olho.

3.    Não queremos minimizar o poder das amarguras familiares.

4.    Não queremos brincar com o ódio existente dentro de casa, queremos dar a devida atenção.

5.    Não queremos reagir aos conflitos apenas emocionalmente.

Quando pais se converterem aos seus filhos, filhos se converterem aos seus pais, maridos se converterem a suas esposas, esposas se converterem a seus maridos, quando você deixar o ódio cair por terra e Deus encher o seu coração de amor, de perdão e de reconciliação, a maldição estará quebrada na terra.

Gostaria de parabenizar as famílias que estão procurando ajuda orientação para seus problemas familiares juntamente com as técnicas.

Uma boa noite à todos vocês!

Juliano Marcel
28/09/2012



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sexta-feira, 4 de maio de 2012

CUIDADO PARA NÃO VESTIR AS MÁSCARAS DA FALSIDADE FARISAICA

Desde pequeno, quando ia à igreja por influência da minha vózinha, eu sempre percebi algo diferente entre os que se chamavam “evangélicos”. Algo nunca me soou bem aos ouvidos. Sempre fui uma criança questionadora desde muito cedo. Na Escola Dominical eu transbordava perguntas das mais diversas ordens às professoras. Perguntas que muitas vezes ficaram sem respostas. Na medida com que fui crescendo, estes questionamentos foram aumentando. 




Já na adolescência quando um pastor me viu jogar “uma pelada” na rua com os amigos, veio chamar minha atenção, pois, segundo ele eu estava “pecando”. Sem titubear indaguei: “Pastor, me mostra na Bíblia onde está escrito que jogar bola é pecado?” Isso me custou algum tempo sem tocar na orquestra da igreja, embora não tenha obtido resposta à minha pergunta.



Já na juventude, eu não estava mais suportando o sistema religioso engessado da qual a igreja que pertencia estava se tornando. Os questionamentos aumentaram, e eu estava me sentindo como um peixe fora d’água. Ouvia acerca da “doutrina”, o qual eles confundiam com os costumes da denominação, e isso me enfurecia. Vi muitas pessoas serem expostas, humilhadas, saírem da “igreja”, terem suas vidas destruídas por causa da religiosidade de seus líderes. Observei tudo isso, e algo dentro de mim dizia que o Evangelho era diferente daquilo que eu estava vendo.



Por um período pequeno, acabei por me afastar daquilo que se denominava “igreja”. Fui curtir a vida, desfrutar da juventude, conhecer os amores de adolescentes, bem como suas rápidas decepções. Experimentando de tudo um pouco, e sendo experimentado pela vida em suas ambigüidades.



Até que resolvi novamente retornar. Porém, embora pensasse que tinha encontrado um lugar bacana para congregar, com o passar do tempo, vi que a religiosidade e o farisaísmo não respeitam placas de “igrejas”, eles invadem todos os sistemas religiosos. Veio novamente a frustração. Tentei me encontrar novamente em outro lugar, agora já com uma família formada. Me envolvi com o ministério, liderei o diaconato, assumi a superintendência da Escola Dominical, dava aulas para os jovens, homens, mulheres, crianças e adolescentes. Acabei assumindo também o departamento de missões e evangelismo. Fui tesoureiro da igreja. Pregava em muitas igrejas, festividades e congressos. Trabalhei auxiliando o pastor. Mas, passado um tempo, fui percebendo que estava me permitindo ser moldado por um sistema da qual eu nunca havia concordado. Este sistema estava penetrando em minha vida, me forçando a mudar meus conceitos de liberdade do Evangelho. E me vi novamente nos embates contra a religiosidade e o farisaísmo agora disfarçado com outras faces. Não suportei, e novamente me afastei, preservando minha consciência acerca do que cria ser o Evangelho.



Hoje, um bom tempo depois de tudo isso, me vejo com a minha consciência pacificada e em constante crescimento daquilo que é realmente o Evangelho da Graça de Jesus Cristo.



Por que relatei brevemente minha história? Para mostrar que a religiosidade e o farisaísmo não existiram somente nos tempos de Jesus. Eles perduraram durante o transcorrer dos séculos até chegarem aos nossos dias.



Hoje, quase trinta anos depois, eu ainda me deparo com religiosos que querem determinar – diante seus conceitos pessoais – critérios para a vida alheia. Constantemente eu encontro um aqui e outro ali, que discordam da pregação da Graça, Perdão e Misericórdia de Deus. Eles se julgam justos e sem pecados. Confundem o pecador que peca com o pecado do pecador. Pensam que por terem uma conscienciazinha acerca das Escrituras, podem afirmar que não pecam. E por conseqüência definem, pautado em “suas experiências religiosas”, quem vive na prática do pecado ou não. São atitudes semelhantes aos dos fariseus da época de Jesus.



E Jesus sempre advertiu seus discípulos para que tenham cuidado com os fariseus e seu fermento capaz de levedar toda a boa massa. Jesus sempre fez um paralelo com os pecadores e os fariseus. Ele chega a dizer que as meretrizes – pecadoras aos olhos cheios de juízos dos fariseus – iriam preceder eles no Reino de Deus.


Jesus advertiu os seus discípulos de que a condenação do fariseu não tinha paralelo entre os demais pecadores daqueles dias. As prostitutas, os publicanos, os pervertidos e os demais párias daquela sociedade – com os quais Jesus estava em permanente contato – jamais receberam tão intensas ameaças de severo juízo quanto os fariseus. Com essa afirmação eu não estou dizendo que eles não eram também passíveis de juízo, pelos seus próprios pecados. O que estou dizendo é que para Jesus, os pecados deles eram pecados mais “verdadeiros”. Nem por isso eles deixaram de estar sob o crivo do juízo de Deus; porém, com muito menor rigor, nos graus da condenação, do que o que estava prometido para o falso religioso.



Jesus disse que “por fora” os fariseus eram perfeitos; todavia, o interior era um lixo. O Senhor disse que era como alguém que só lava o prato de comida por fora e que é capaz de comer no mesmo prato sujo, a vida toda (você pode se imaginar comendo no mesmo prato sujo a vida inteira? Você pode se imaginar bebendo água num copo sujo por toda a sua vida?). E ainda: que eles eram como sepulcros pintados de branco – mostrando beleza enquanto a podridão acontecia do “lado de dentro”. Isso significa que é bastante possível que as pessoas se escondam sob as vestes religiosas para mascararem seus reais valores interiores.



Muita gente, e mesmo jovens, se esconde sob o disfarce religioso a fim de pecar com mais “segurança”.



Psicologicamente falando, esse fenômeno de se esconder embaixo das vestes religiosas para pecar com mais profundidade não é totalmente estranho. Aliás, o melhor lugar para esconder nossa própria maldade é a igreja. Nós que somos membros da igreja devemos sempre ter a coragem de perguntar o que significa nossa presença no ajuntamento do povo de Deus. Isso porque na igreja há sempre dois tipos de pessoas: aquelas que escondem sua própria maldade e dureza interior sob o disfarce da fé e da moralidade, e aquelas que se conhecem como pecadoras e que escondem a si mesmas sob o sangue de Jesus. O primeiro grupo esconde a sua maldade. O segundo grupo esconde a si mesmo enquanto confessa a sua própria culpa.



A questão é: como pode isso se desenvolver? Eu ouso afirmar que o problema está nos nossos padrões de espiritualidade, os quais muitas vezes são falsos. Por isso, quando alguém está tentado a pecar, está também, automaticamente, tentado a esconder sua tentação sob o disfarce do radicalismo comportamental. Dessa forma, quase sempre os cristãos, antes de caírem numa tentação, caem em uma outra: a tentação de aparentarem uma vida que está para além da possibilidade do pecado. Obviamente ninguém fica mais vulnerável ao pecado do que aquele que não admite sua própria vulnerabilidade.



Acontece que isso é um círculo vicioso. Primeiro, a pessoa é tentada. Depois ela sente a obrigação de mascarar essa realidade. Ora, quando isso acontece essa pessoa está se condicionando psicologicamente para se tornar um hipócrita.



E que é o hipócrita, senão aquele que não assume o que é e aquilo contra o que luta? E quem consegue viver a vida inteira escondendo de si mesmo e dos irmãos as suas fraquezas sem que, de um modo ou de outro, acabe caindo diante daquilo que ele nega como sendo sua própria sedução?  Daí, a inferência de que quanto mais “espiritual” for o ajuntamento cristão, mais propício ao pecado ele será. Justamente aqui nós estamos diante de um grande paradoxo cristão: bem-aventurados sejam os fracos, os mansos e aqueles que são capazes de chorar. Somente depois é que se fala dos limpos de coração. Só é limpo de coração quem limpa o coração diante de Deus e dos irmãos, mediante frequentes confissões de carência humana. Não existe tal pessoa limpa de coração que seja solitária e incapaz de constantes revisões de vida. Não existe ninguém permanentemente limpo de coração. Existem apenas aqueles que se deixam limpar mediante a confissão e a sinceridade de uma vida que não tem medo de ser suficientemente humana para confessar tendências em vez de assumir um outro lado de sua humanidade: o pervertido lado de sua humanidade-inumana, que prefere esconder tendências e viver pecados.



Quando esse tipo de comportamento se desenvolve, o que acontece é que a tendência da pessoa é assumir cada vez mais a “santidade” publicamente, a fim de compensar suas incoerências vividas nos bastidores. Daí que pessoalmente eu me impressiono muito mal com pessoas cuja ênfase na santidade me soe um tanto extravagante. Para mim, na maioria das vezes esse comportamento esconde um conflito interior justamente naquela área que se tornou um obsessivo discurso. Pessoas equilibradas tendem a falar de tudo, ao invés de se tornarem obcecadas por um discurso só. E mesmo quando alguém tem uma ênfase pessoal e particular na vida, se essa pessoa é saudável tal ênfase será vivida sem nenhum espírito de cobrança para com aqueles que não conseguem viver a vida com o mesmo peso, naquela área. Ora, tudo isso me leva a afirmar que muito daquilo que temos chamado de “consagração” na vida cristã possivelmente não passe de um atestado de nossa própria conflitividade não confessada e não assumida.



O que complica bastante a situação daquele que assim se comporta é o fato de que quando alguém vive com tal capacidade de se disfarçar, isso pode significar que ela está desenvolvendo uma profunda maldade em sua própria alma: a maldade de ser tão mal, que tenta enganar a todos sob a máscara da bondade. Vale lembrar que para Jesus esse era o mal maior na vida, o mal dos fariseus, o mal dos religiosos, o mal dos falsos profetas, daqueles que se mostram ovelhas mas que de fato são lobos.



Nós que somos pessoas da igreja precisamos urgentemente aprender que a maior mentira que se comete na vida não é aquela que se diz, mas aquela com a qual se vive. Precisamos recuperar o senso de “intimidade” e de “interioridade” das verdades do Evangelho. Temos que pedir a Deus que nos liberte das falsas e malignas noções de espiritualidade. É urgente que reassumamos nossa herança Reformada, a qual afirma nossa impossibilidade inerente para a bondade absoluta, e nos remete humildes e dependentes para a graça de Deus. Caso contrário, corremos o risco de nos tornarmos pessoas muito más. Aliás, a História está repleta de testemunhos dessa nossa capacidade de nos tornarmos mais maus do que os mais maus.



Este mal vem justamente da nossa relação com o Sagrado. Nada é mais intenso que aquilo que é divino. Quando alguém mantém uma sadia relação com o Sagrado, tal pessoa torna-se santa e bonita. De outro lado, quando a relação com o Sagrado acontece desde uma perspectiva de orgulho, autossuficiência e hipocrisia, então nada faz adoecer mais do que essa versão religiosa da maldade. Daí que Lúcifer tornou-se mau na exata proporção de sua anterior virtude. Assim, onde abundou a graça, superabundou o pecado. Nós temos afirmado esse princípio apenas na dimensão paulina: “onde abundou o pecado superabundou a graça”. Todavia, Pedro coloca a mesma verdade desde uma outra referência histórica: “o seu estado se torna pior do que primeiro”. Ou ainda: “melhor lhes fora jamais terem conhecido o caminho da verdade do que, após o terem conhecido, o abandonarem”.



Certa vez C. S. Lewis disse que o pior diabo é aquele que nós pensamos que não existe. Eu ouso, respeitosamente, contrariar esse que foi um dos maiores pensadores cristãos de todos os tempos, para dizer que, para mim, o pior diabo é aquele ao qual nós nos “acostumamos”. Isso porque quando alguém não sabe ou não crê que o diabo existe, está menos exposto à total força do diabo, pelo simples fato de “sinceramente” não crer ou não admitir a existência dele. Há um grande poder espiritual na verdade, mesmo que aquele que a demonstre seja um ateu. Todavia, quando alguém sabe que o mal existe como mal real e objetivo, mas a despeito disso vive em cínica indiferença para com esse poder, tal pessoa não se torna apenas vulnerável ao mal, mas se torna, ela mesma, parte da própria realidade do mal. Ninguém é mais maligno do que aquele que consegue se tornar indiferente ao poder do mal enquanto admite a sua existência. Gente assim vive uma espécie de “crente-descrença” no poder do mal. Ora, é simples inferir que é mais fácil achar gente assim domingo de manhã ou de noite na igreja, do que num laboratório de ateus confessos. É mais fácil achar esses jovens cantando com as mãos levantadas num culto animado, do que nas praças. Aqueles que estão vivendo sua alienação de Deus e do diabo muitas vezes fazem isso em absoluta ignorância; mas muitos dos que lotam nossos templos cristãos e nossas reuniões são do tipo de gente que consegue “levantar as mãos ao Senhor” e depois, mesmo contra a Palavra do Senhor que eles conhecem, ser capaz de levar uma irmãzinha, companheira de louvor, “para a cama”.



Eu sei que para muita gente as afirmações que tenho feito podem soar excessivamente fortes. No entanto, não tenho o menor temor de estar equivocado a esse respeito. Tenho a própria história bíblica e a história da Igreja para confirmarem tais declarações. E além disso, é só olhar em volta para se constatar que há uma grande abundância de testemunhos contemporâneos corroborando o que estou dizendo.



Tudo o que eu disse até aqui tem a finalidade de estimular você, que deseja andar com Jesus, a coerentemente tomar a cruz e segui-lo. Não é fácil assumir as dores que vêm como resultado de uma vida sincera. É duro, o preço da verdade. Mas é a única forma de andar com Deus. É preciso ter “coragem de ser diferente”. Não diferente apenas mediante uma postura de “fachada”. É preciso ser diferente desde o coração. Só assim se edifica um “compromisso capaz de fazer diferença”.



Faz dez anos que eu venho andando com Jesus nesta consciência e fazendo todo o possível para, no dia a dia, não me esquecer dessas verdades a respeito das quais acabei de escrever. Neste período já me alegrei, me decepcionei, firmei meus passos, vacilei, pequei-peco-e-pecarei, e encontrei-encontro-e-encontrarei perdão e Graça no Amor de Deus revelado em Jesus Cristo. Mas uma coisa tem me ajudado muito, nesses anos: a lembrança de que eu não tenho que ser, para ninguém, qualquer coisa além daquilo que Deus sabe que eu sou. Isso me ajuda a não ter medo de ser gente.



Todavia, essa mesma verdade me ajuda a ser aquilo que, na graça de Deus, eu devo ser na minha “identificação gradual na História”. E quando me sinto tentado a pensar diferente, eu me lembro que os felizes, do ponto de vista de Jesus, são os que têm coragem de chorar, os mansos, os que têm fome e sede de justiça – ou seja, os que querem mais –, os misericordiosos, os que se purificam na graça de Deus, os que vivem para construir pontes entre os separados pelo ódio, e os que assumem a perseguição como o resultado mais natural da sua relação com Jesus, aquele que por viver tão diferentemente dos padrões vigentes, sofreu o preço de uma existência capaz de ser radicalmente relevante; aquele que mostrava seu brilho pessoal a poucos (transfiguração), mas que não teve vergonha de mostrar sua dor e verdade humanas a todos, na cruz.



Somente vivendo com essa compreensão evitaremos a terrível realidade de nos tornarmos hoje os fariseus que Jesus repudiou ontem. Como você viu, a Síndrome do Fariseu ainda hoje contamina corações cheios de si mesmos. Cabe a você jamais chegar lá.



Que você escolha não ser um produto da religiosidade farisaica. Mas que seja um filho da graça, do perdão, do amor e da misericórdia de Jesus Cristo.



Na Graça daquEle, que embora sabendo que sou pecador, me amou primeiro se entregando por mim na Cruz, me fazendo por meio de Seu sangue, um Filho da Graça!



Juliano Marcel


(parafraseando com Caio Fábio em alguns trechos)


Bragança Paulista-SP


05/05/2012


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terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Que o seu olhar em 2012 seja cheio de luz!

“São os olhos a lâmpada do corpo. Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso; se, porém, os teus olhos forem maus, todo o teu corpo estará em trevas. Portanto, caso a luz que em ti há sejam trevas, que grandes trevas serão!” (MT 6:22,23)

Vi muitas pessoas no decorrer deste ano sofrerem por conseqüência da vida, de fatos, crises, enfermidades, problemas e aflições. Vi homens agindo com maldade, como que predadores caçando seu alimento; só que sua caça era pessoas comuns, que não tinham nada com estes e nem haviam dado motivos paras seus ódios homicidas. Vi mulheres entrarem em depressão por conta de crises relacionais.

Vi amizades que antes eram celebradas com júbilos, agora, serem rompidas por questões de opinião e desentendimentos infantis.

Vi que a cada dia que passa o ser humano evolui, não de forma ascendente em sua consciência, e sim, de forma decrescente, em direção à sua animalidade mais instintual possível, se tornando por muitas vezes irracionais.

Vi que tudo tem a ver com o olhar do homem. Sim! Tudo está proposto a partir do olhar, da percepção, da interpretação individual das circunstâncias cotidianas. Afinal, a realidade é objetiva, mas sua interpretação é individual e estritamente subjetiva, não refletindo a objetividade factual da realidade imposta.

A partir desta premissa, entendemos porque tantas pessoas sofreram e continuarão a sofrer em suas vidas. Porque tudo se resume ao olhar de cada um à vida.

Foi o que Jesus afirmou no sermão da montanha. Se você ver a vida com um olhar bom – independente se ela vem embrulhada como presente e te faz cócegas de alegria, ou se ela te traz o sabor amargo do fel e angústias oriundas da dor e sofrimento – Jesus diz que o seu corpo será luminoso.

Ou seja, a saúde pessoal e psíquica é determinada pela forma com que você olha a vida e responde aos acontecimentos que lhe são inerentes.

Se você interpreta a vida – independente da forma como ela se apresenta – buscando em cada acontecimento ver o melhor das pessoas e das circunstâncias, e para quê tais circunstâncias estão acontecendo, e principalmente, o que pode aprender com elas, Jesus afirma que haverá luz em seu corpo. Ou seja, você será uma pessoa que irradia boa luz ao mundo.

O contrário é verdadeiro. Quando você olha a vida de forma negativa, sempre competitiva, buscando sobressair aos outros, buscando o pior nas pessoas, nas circunstâncias, dando atenção às questões medíocres, vendo os homens como adversários a serem combatidos e vencidos numa arena de gladiadores e animais; o resultado será uma vida de trevas.

É o que Jesus afirma e é o que sempre se vê ao nosso redor. Quando vemos pessoas sempre buscando arrogantemente se autoafirmar na vida, fica explícito as trevas que tal indivíduo é habitado e vive.

Sua vida passa a ser um cotidiano de trevas e negridão em todos os âmbitos. Ela pode até tentar acender uma luzinha em sua caminhada, mas a treva que habita o âmago do seu ser sobressairá. Com isso, ela viverá de problemas em problemas, de dor em dor, de trevas em trevas. Será uma pessoa amarga e solitária, pois não há possibilidade de comunhão nas trevas. Não há possibilidade de amizade nas trevas. Não há possibilidade daquele que é habitado pelas trevas ter comunhão com os filhos da luz. Quando um chega o outro tem que sair. E sempre quem se retira são as trevas (ou naquele habitam tais trevas).

Isso é fato. Conheço particularmente pessoas que são habitação de trevas. Ela sempre busca um pezinho de alguém, um falha, um erro, uma oportunidade para diminuir a credibilidade de outro, um acontecimento para se autoafirmar egoísta-e-soberbamente arrogante. Inclusive um, sempre vem visitar este portal.

Se é assim – e eu sei que assim é pela Verdade da Palavra –, o meu desejo é que no ano de 2012 você se permita olhar a vida de uma forma diferente. Sim, responda à vida com carinho, bondade e amor. Se assim você fizer, pode ter certeza que por mais difícil que possa ser o seu caminho, jamais você andará em trevas. Será como uma candeia que é acesa e é colocada em um velador para que sua luz ilumine os passos de outros.

A escolha está em suas mãos. Não escolha ser marionete das trevas e da maldade.

Escolha ser filho da Luz e promotor da bondade e gerador de amor e perdão!

É assim que é. Assim deve ser. Assim deve permanecer!

Feliz 2012.

Na Graça daquEle, que nos chama para sermos luz no mundo num mundo habitado pelas trevas.

Juliano Marcel


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Carta: Medo de Raio e Trovão... uma história traumática...

------- Original Mensagem -----------------
De: contato Graça & Vida
Para: juliano.marcel@ymail.com
Data: 10/10/2009
Assunto: Ajuda-me a desa’fobia’r a alma... – parte I



Olá Juliano, graça e paz no Senhor!

Pois bem, eu disse que ia mudar de email e estou aquí para relatar a minha vida, para ver se você consegue detectar a causa da minha fobia por raios e relâmpagos.


Por favor, sigilo absoluto pois não é fácil para ninguém abrir o jogo de sua vida. Mas vou adiantar que tenho que ser longo no texto para você entender melhor. Eu sou o caçula da minha família que é de cinco pessoas. Meus pais, um irmão e uma irmã. Quando eu nasci, em 1963, minha mãe já tinha perdido dois filhos com problema de incompatibilidade de sangue com o meu pai. Eu também vim com o mesmo problema, a família ( pais e irmãos ) já tinham descartada a hipótese de sobrevivência minha. Então foi uma vizinha que me pegou e levou até o hospítal onde fizeram pela primeira vez aquí na minha cidade, uma transfusão de sangue.


Bom, sobrevivi. Então todos da família ( inclusive os avôs ) me chamavam carinhosamente de "milagre de Jesus Cristo". Meu Pai um homem de fé, além de trabalhar no serviço público, dedicou sua vida a igreja regendo os corais, ele era músico. Então o acompanhei durante toda a minha infância e adolescência. Ele era um referencial para mim. Eu crescí vivenciando só o ambiente de igreja e religiosidade. O pecado para mim era algo terrível. Não tive uma infância com os garotos da rua e seus brinquedos peculiares. Eu amava acompanhar o meu pai nas coisas da igreja, porque o reduto dele também era esse fora trabalho.


Quando ele ia trabalhar, como sou o caçula, meu irmãos iam para a escola e eu ia com a minha mãe para a casa das duas tias minhas que são solteiras. Vinha as tempestades elas, principalmente a minha mãe, tinha horror, e cresci vivenciando este medo,na infância, adolescencia e juventude.

Mudando de assunto. O meu pai não era uma presença muito viril, era mais um homem de personalidade boa e santa. Eu acho que isso me trouxe também um preço muito caro, por falta da psicologia do meu pai, não convivi com os garotos, algo que mais tarde veio trazer para mim tendências homossexuais.

Encurtando o assunto: depois de jovens, após os vinte anos, cai no mundo tentando encontrar a minha sexualidade e os "porques" da vida. Então entrei de cara, assumindo a minha intuição sexual, e tive uma vida ativa sexualmente com o mesmo sexo até os 40 anos de idade. Agora é quem vem o principal: mas nunca fui para casa feliz e realizado como os outros amigos meus após uma "noitada" nas orgias homossexuais. Quando deitava a noite chorava e pedia a Deus para me dar uma resposta porque sentia vergonha de ser daquele jeito e não o queria ser.


Também sofria muito com complexo de inferioridade, porque ao vivenciar a cultura do corpo como acontece nesta vida homo, sempre achei e tive vergonha do meu membro, o acho pequeno demais e sofria por causa disso também. Algo em mim dizia que eu iria mudar porque aquilo não era para mim. E eu via os casais e suas famílias, sentia inveja e desejo enorme de ser pai e criar uma família também.


Bom....quando a minha vida já não tinha mais sentido nas farras ( mas profissionalmente me tornei músico e realizado no meu trabalho ) no meu aniversário de 40 anos, decidi por um fim em tudo aquilo e disse a Deus com sinceridade:

"Olha meu Deus, estou fazendo 40 anos, vou somente trabalhar agora. Não vou sair mais, não vou nem se quer tocar em um homem ou muito menos ter mais contato com meus amigos...a partir de agora é com o Senhor...toma as rédias da minha vida e faça o que o Senhor desejar...que em tudo na minha vida seja feita a vossa vontade”.


Bom, isso foi em setembro de 2003... começou então uma vida tranquila, sem neuroses e deixando Deus levá-la. Eu estava preparando uma cantata de Natal com um coral que sou maestro numa cidade vizinha a minha, e no dia 10 de dezembro deste mesmo ano ( 2003 ) , esperando dar 19 horas para o ensaio, estava sozinho no hotel da cidade quando veio uma chuva muito forte, com vários raios e que durou cerca de uma hora e meia...depois daí meu trama voltou fortíssimo. Até mesmo de ir trabalhar nesta cidade me dá ansiedade porque agora associei ela com esta chuva e acho que todas vão ser iguais. Bom....minha vida foi passando, a parte sexual tranquila.


Comecei então a ler vários livros sobre as verdades de Deus sobre a homossexualidade e como isto pode entrar na vida das pessoas. Jamais aceitei que isso fosse normal, fosse de nascença... pois Deus é perfeito e criou o homem e a mulher para viverem juntos ou então entregarem sua castidade a ele. E achei várias respostas, buscando e me interiorizando.



Isso finalmente acabou, não fazia mais parte da minha vida a homossexualidade. Então, uma cantora que há quase 15 anos fazia parte do meu coral, encontrou comigo novamente ( ela saiu do coral quando se revelou para mim que me amava ). Bateu uma coisa diferente em mim, e começou despertar algo diferente para com ela. Mesmo assim na minha intimidade orava ao Senhor e dizia que não queria conduzir a minha vida, e sim ele , Deus, a conduziria. Mas que tudo fosse vontade dele.


Ela pediu para namorar. Mas antes, deixei ela a par tudo que tinha acontecido na minha vida. Inclusive relato fiel da minha experiência homossexual. Ela disse que não forçaria nada, que eu daria a minha decisão.


Pois bem senhor Juliano. Hà 4 anos somos casados ( casei em 2005 ) tenho uma filha MARAVILHOSA de 3 anos e meio. E agora você me pergunta: você está feliz......MEU AMADO AMIGO EM CRISTO JULIANO...NUNCA ME SENTÍ TÃO REALIZADO E FELIZ EM TODA A MINHA VIDA. AGRADEÇO A DEUS PORQUE HOJE SOU FELIZ, TENHO UM LAR, FAÇO A MINHA ESPOSA FELIZ E HONRADA, LEVO MINHA FILHA NOS CAMINHO DE DEUS E ANDO COM A CABEÇA ERGUIDA POIS DEUS ME MOSTROU E CONCEDEU A DIGNIDADE DE SER HETERO ASSIM COMO ELE ME CRIOU.


Então.... estou construindo, sou maestro profissional de 4 corais...temo a Deus como servo e tenho tudo. A única coisa que me arrasa e tira a minha felicidade é esta fobia, que não me deixa nem sair de casa para trabalhar ( isso só no verão, porque no inverno fico feliz e trabalho e vivo muito, porque não tem chuvas fortes com raios ). Eu sou um homem que já tirei os ossos no túmulo do meu pai, da minha mãe, e em 2001 do meu irmão. Sozinho, ajudei a fazer entoponamento na minha mãe no caixão com total desprendimento e aceitação.


Aí está o relato da minha vida Juliano...Deus o ilumine para que consigamos juntos "desfexar" o problema da minha fobia!
Um abraço irmão!



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Resposta:



Graça e paz, e descanso na alma “afobiada”!

Inicio assim minha resposta, porque o que li, é o relato de um homem cuja vida lhe proporcional experiências destruidoras, porém, conseguiu em Deus encontrar salvação e libertação, porém, hoje ainda traz a “alma afobiada” das experiências e traumas que ficaram guardadas no inconsciente.

Você conseguiu perceber alguns indícios do que hoje te atormenta inconscientemente, porém, estes indícios embora perceptíveis como conhecimento, não lhe é discernível nos momentos de manifestações de medo fóbico-mórbido quando dos raios e trovões.

É bom ver que conseguiu se resolver quando da sua sexualidade, identificando a causa original – ausência da virilidade paterna [o pai como a Lei e referencial masculino] – sendo que conseguiu com a ajuda de Deus, retomar a sua vida como você nasceu.

Mas creio que nestas suas andanças durante as noitadas de orgias, sua mente foi invadida de pensamentos e questionamentos dos por quês da tal vida, se não era o que você desejava. Juntamente com estes conflitos internos, o descontentamento com seu próprio corpo – afinal, você menciona na carta que tinha vergonha de seu membro - , assim, sua mente foi invadida de muitas questões, e muitas destes conflitos internos geraram complexos, traumas, oscilação emocional, baixa-estima, sentimento de auto-rejeição – daí as buscas de respostas e soluções com psiquiatras, fármacos e psicólogos.

Até que em um determinado momento na vida – aos 40 anos – você decide tomar as rédeas de sua vida, pedindo a Deus ajuda para se libertar da vida que o oprimia. Só que, não foram alguns aninhos de conflitos existenciais. Foram 40 anos. Neste sentido, fundamentou-se no seu inconsciente determinados conceitos sobre si próprio que transcendeu esta sua mudança e busca de uma vida diferente. Assim, embora, você tenha conseguido parar com a vida homo em sua prática, internamente, existe estes traumas e conflitos que ainda perduram, que a meu ver se manifestam nessa fobia astrapofágica.

Vamos conhecer um pouquinho como isso se processa: medo mórbido associado à ansiedade mór­bida. Depois de excluir as obsessões e fobias traumáticas, que "são apenas recordações, imagens inalteradas de experiências importan­tes", Freud diz: "Devemos distinguir: (a) as obsessões propriamente ditas; (b) as fobias. A diferença essencial entre elas é a seguinte:
"Encontramos dois componentes em todas as obsessões: (1) uma idéia que se impõe forçosamente ao paciente; (2) um estado emocional associado. Ora, no grupo de fobias, esse estado emocional é sempre de 'ansiedade mórbida', ao passo que nas obsessões verdadeiras outros estados emocionais, como a dúvida, o remor­so, a raiva, podem ocorrer na mesma intensi­dade em que o medo participa das fobias." (Freud)

Segundo Freud, as fobias podem ser divididas em dois grupos, "de acordo com a natureza do objeto temido: (1) fobias comuns, um medo exagerado de todas aquelas coisas que qualquer pessoa detesta ou teme em menor ou maior grau, como a noite, a solidão, a morte, a doen­ça, os perigos em geral, cobras, etc.; (2) fobias específicas, o medo de circunstâncias especiais que não inspiram medo no homem normal; por exemplo, agorafobia e as outras fobias de loco­moção". (ibid.)

Sendo assim, entendemos que na percepção de que existe uma mudança climática, cujo céu se enegrece, e entende-se que cairá chuva, com raios e trovões, seu metabolismo já altera, alterando seu estado emocional, que gera ansiedade, que o impede de sair de casa, porque sabe que estará ocorrendo uma manifestação natural que foge ao seu controle. Até o presente momento, você tem conseguido controlar suas emoções, suprimindo seus traumas e conflitos internos. Exerce então este controle que lhe dá garantias de segurança para que possa sair de casa. Porém, ao perceber que algo sairá do seu controle – raios e trovões – e que perceberá que não conseguirá controlar esta força externa (natural), surge a ansiedade e o medo mórbido do objeto opressor.

Numa linguagem figurada, raios e trovões simbolizam força e poder. Justamente, aquilo da qual você disse sentir falta em sua infância – a presença viril do seu pai. O que ocorre, é que houve então a transferência desta percepção paterna em você, para um outro objeto, o raio e o trovão. Que hoje, apesar de você estar conseguindo controlar seus impulsos internos, ainda se manifestam traumas que provavelmente você tenta suprimir. Lembremos, porém, que todo este processo é inconsciente.

Creio que há a possibilidade de você voltar à vida normal. Gozando da liberdade de ir e vir sem que tenha medo de pegar uma chuva pesada no caminho.

Isso ocorrerá quando houver a entrega total de sua vida à Deus. Sim, uma entrega total, sem limites, se desnudando para Ele, para que Ele possa mostrar-lhe o caminho a seguir para dentro, para que possa encontrar as moradas destes medos fóbicos.

Existe um programa cujo item 4 é: Fazer um destemido inventário moral de si mesmo.

Fazer este inventário necessita não ter medo. Sim, não ter medo do que podemos encontrar dentro de nós. Quando entrega-se a vida verdadeiramente e integralmente aos cuidados de Deus, precisamos dar-Lhe a chave de todos os baús que temos em nosso coração. Daí a dificuldade de viver uma vida com Deus, pois exige de nós esta entrega; e nem sempre estamos dispostos a entregar as chaves do nosso coração.

Normalmente limitamos Deus em nossas vidas. Até verbalizamos entregas e transparências, porém, nossos pensamentos e sentimentos procuram esconder o que realmente carregamos dentro de nós.


Quando ocorrer verdadeiramente esta entrega, você será curado desta fobia. Existe um salmo que diz:

SALMOS 29
Louvai a majestade de Deus
Um salmo de Davi.
29 Tributai ao SENHOR, vós, filhos dos
poderosos, rendei ao SENHOR glória
e força.
2 Tributai ao SENHOR a glória devida ao
seu Nome. Adorai ao SENHOR, por causa
do esplendor da sua santidade.
3 A voz do SENHOR ressoa sobre o bramido
das águas. O Deus glorioso troveja, o SENHOR
está sobre a vastidão dos mares.
4 A voz do SENHOR expressa força; a voz
do SENHOR é majestosa.
5 A voz do SENHOR quebra os cedros; o
SENHOR despedaçou os cedros do Líbano.
6 O SENHOR faz o Líbano saltar como bezerro;
e o monte Hermom, como cria de
búfalo.
7 A voz do SENHOR corta os céus com
raios flamejantes.
8 A voz do SENHOR faz tremer o deserto; o
SENHOR faz tremer o deserto de Cades.
9 A voz do SENHOR faz tremer as corças e
desnuda os carvalhos nas florestas. E no
seu templo todos bradam: “Glória!”
10 Acima do Dilúvio estabeleceu o Eterno
seu trono. O SENHOR reinará para sempre.
11 O SENHOR concederá força ao seu povo;
o SENHOR abençoará o seu povo com
paz.



Veja que o trovão é descrito como a Voz de Deus. Você já parou para pensar nisso?

Então, creio que o medo dos raios e trovões que você tem, tem um outro catalisador que não é o objeto em si, porém, algo inconsciente que você traz aí no peito.

Por que está abatida a sua alma, e se perturbas dentro de ti??? És capaz de esperar em Deus, cuja voz ressoa como um trovão e corta os céus como um raio???

Descanse sua alma “afobiada”, lançando sobre Ele todas as suas ansiedades, porque Ele tem cuidado de ti.

Pense no que escrevi, analise, ore, questione a si mesmo, faça uma viagem existencial para dentro de você mesmo, e procure seus medos verdadeiros. Quais são? Me responda depois desta analise.

Receba meu carinho!

Juliano Marcel


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------- Original Mensagem -----------------
De: contato Graça & Vida
Para: juliano.marcel@ymail.com
Data: 10/10/2009
Assunto: Ajuda-me a desa’fobia’r a alma... – parte II


Olá meu amigo! Tudo bem?

Espero que sim, na santa paz!

Estou retornando porque você me permitiu fazê-lo, não quero ser um incômodo.

Primeiro agradeço a Deus por fazer caridade através dos homens, e você é sem dúvida um instrumento dele. Sábias palavras, colocastes em meu coração. ( Só não posso pagá-lo pegas consultas rsss ) Mas vou orar por você em agradecimento a Deus.

Primeiro peço permissão para continuar "a consulta" com liberdade de você responder quando quiser e sem querer atrapalhar o seu tempo.
Resumindo destaco em sua análise:


___ O poder paterno e viril transferido para os raios e trovões.

___ E o mais importante: eu queria ser pelo resto da minha vida como adolescente até os 16 anos, porque me considerava totalmente puro. Pois fui perder a virgindade com 24 anos (e infelizmente com homem).

___ No meu pensamento, Deus está horrorizado com tudo que eu fiz, e me sinto como se os trovões e raios fossem para mim diretamente. É como se, não pudesse ser feliz totalmente, e tivesse que ter algo para sofrer, entende? ( Isso é claro, inconsciente ) pois sei que ele é misericordioso e já perdoou o meu passado.

___ Agora, vamos analisar juntos:
Sou egocêntrico / perfeccionista / e muito sensível com críticas alheias, e ainda tenho um pouco de complexo de inferioridade por causa do "órgão" / E para arrematar, gosto de estar no controle das situações...

E aí..ajudou mais um pouco?

Aguardo resposta quando puder.

Um abraço, e obrigado por ser um ombro amigo, mesmo tão distante.

Graça e Paz no Senhor!

___________________________


Resposta:

Graça e paz, e todo o bem!

Obrigado pelas palavras, e agradeço pelas orações!

Querido, vejo que conseguiu em alguns momentos identificar algumas coisas que ficaram marcadas em sua vida, e que discerniu algumas questões a seu respeito. Vamos lá, seguindo suas colocações:

___ O poder paterno e viril transferido para os raios e trovões.

R: Quando mencionei isto na resposta anterior, fiz menção de usar a questão da “transferência do objeto” – a ausência desta realidade paterna, e a expectativa de viver esta realidade transferida à raios e trovões.


___ E o mais importante: eu queria ser pelo resto da minha vida como adolescente até os 16 anos, porque me considerava totalmente puro. Pois fui perder a virgindade com 24 anos (e infelizmente com homem).

R: Sua mente ainda sente falta do tempo da adolescência, onde julga ser o tempo da pureza, somente por não ter tido relacionamento íntimo. Porém, esta te engana, e te oprime, devido a experiência não saudável que teve ao se relacionar com homens. Embora hoje esteja casado com uma mulher que te ame, e tenha uma filha, ainda assim, é assolado pela realidade das experiências que geraram um trauma na sua alma que se manifesta no temor que você menciona no item seguinte.

___ No meu pensamento, Deus está horrorizado com tudo que eu fiz, e me sinto como se os trovões e raios fossem para mim diretamente. É como se, não pudesse ser feliz totalmente, e tivesse que ter algo para sofrer, entende? ( Isso é claro, inconsciente ) pois sei que ele é misericordioso e já perdoou o meu passado.

R: A contradição de suas certezas é justamente o acusador que lhe condena. Você começa dizendo que no “seu pensamento”, embora conclua dizendo “sei que ele é misericordioso e já perdoou o meu passado”. A incerteza que você demonstra no início da sua afirmação, não é coerente com a certeza com que você encerra a frase. É anti-tético. Você sente como se fosse repreendido pelos raios e trovões, justamente por achar que Deus está horrorizado, assim, inconscientemente, ao mesmo tempo em que sente julgado por Deus, sua alma clama pela certeza do perdão de Deus. E este clamor não parte da sua alma para Deus, e sim, da sua alma para você mesmo, pois, embora como encerra dizendo que sabe que Deus o tenha perdoado, assim mesmo, não acredita fielmente neste perdão. Você vive então assolado pela falta de perdão próprio. Isso é normal, pois sempre os homens projetam a Deus, as incertezas e temores que carregam no peito sobre si próprio. Assim, se você não se perdoa, o que lhe vai na mente é que por conseqüência Deus também não o perdoe, e o segue na vida, aterrorizando a você com raios e trovões que o façam imaginar que seja a condenação pela vida pervertida que teve.

É claro que uma vida assim é impossível ser feliz. É um inferno viver assim. O que fica patente, é que embora você manifeste uma consciência do perdão de Deus, você – e unicamente você – é assolado pelo seu passado, sendo este a única realidade que pode nos separar do amor de Deus!


“Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor”.

É o que Paulo escreveu no capítulo 8 aos Romanos, mas não menciona o passado! E por quê?

Por qual razão Paulo não fez questão de mencionar o passado, uma vez que ele coloca uma seqüência de coisas que em si incluem tantas outras, mas quando diz que “... nem o presente, nem o porvir...” ele não inclui ou menciona o passado?

Teria Paulo se esquecido do passado? Não! Paulo não se esqueceu do passado, aliás, o passado é uma coisa que ele traz sempre consigo.

Na verdade, quando Paulo cita uma série de coisas que não podem nos separar do amor de Deus, ele não menciona o passado, porque é nas obras mortas – portanto no passado – onde habita o “espírito da separação” do amor de Deus.

O passado é um demônio, e o único capaz de inibir nossa relação com Deus, e por conseqüência, desfrutarmos do amor de Deus.

Apesar de confessarmos Cristo como salvador, e de “supostamente” acreditarmos no Seu perdão, de uma forma ou de outra, nossa crença neste perdão não é total, ou melhor, confessamos com a boca ter sido perdoado, porém não cremos com o coração inteiramente nessa confissão que fazemos.

Não conseguimos acreditar nesse perdão de forma como Deus quer que acreditemos.

Dessa forma, a dúvida por algum pecado cometido no passado, ou numa condição de vida promíscua, ou alguma coisa errada cometida, nos faz vivermos presos neles, de forma que somos atormentados pela lembrança do passado, das situações vividas, das atitudes tomadas, e pensamos que até mesmo o mal que vivemos ou que nos é acometido hoje, seja conseqüência de alguma coisa plantada lá atrás, que vem no sentido de um carma, ou de hereditariedade, ou colheita, ou maldição que nos atormenta hoje.

Apesar de Deus dizer insistentemente que nos perdoou, e que nos perdoa, e que nos perdoará, não somos capazes de descansar nessa confissão, de colocarmos nossa fé nesse perdão.

Pois o problema é que mesmo quando Deus diz que o passado está perdoado, ainda assim, a maioria das pessoas não se perdoa por ter vivido, ter errado, ter se enganado, ter traído, ter ingerido mal os recursos, ter adulterado, ter roubado, ter falhado, ter se omitido, ter agido mal, enfim, por ter vivido de forma contrária ao projeto original.

E por quê? É que a maioria gostaria de ter vivido corretamente, ter acertado sempre, ter vivido a verdade em todos os aspectos e ter tido bom êxito em tudo.

Assim, é no e do passado que o Diabo vive. Se alimentando das nossas fobias existenciais, das nossas dores passadas, das feridas que ainda não cicatrizaram e que quando tocadas sangram, dos medos, dos traumas passados nos atormentando noite e dia!

Assim, nessa consciência, podemos dizer que quem não tem percepção da sua própria queda, nunca estará aberta à significação intrínseca da graça, que nos traz perdão e descanso.

O que fazer?

Como se livrar do passado para viver o presente, e ter esperança de um futuro seguro?
Conscientizando-se de que nada pode nos separar do amor de Deus.
Nem eu mesmo?
Sim e não! Não, apenas porque a Antiga Serpente é, entre as criaturas, mais uma das que não tem poder para nos separar do amor de Deus. Sim, porque nós somos as criaturas que podemos não crer na inseparabilidade desse amor, especialmente em razão do passado e da culpa!
As obras mortas são as que mais matam. A morte vem do passado! Mas eu agora sou filho do Dia Chamado Hoje. As distâncias, a solidão, o abismo e até os céus não podem me afastar do amor de Deus. O passado não é incluído! O passado não pode nos separar do amor de Deus, mas pode nos separar da experiência do amor de Deus! O passado pode me roubar o momento, pode não permitir o Dia Chamado Hoje de me fazer bem. Afinal, basta a cada dia o seu próprio mal.
O amor de Deus só é inaproveitado como Graça em razão das culpas e justiças próprias que viraram neurose, fobia, trauma e legalismo paralisante e auto-punitivo! — e que procedam do passado. O passado agora é neurose. Por isso é que Hoje é o dia de salvação.
Tudo isso apenas para terminar sem hesitação dizendo o seguinte: Não brinque de esconde-esconde com o passado. Você vai viver expulsa-mente preso no passado! É dele que procedem os demônios que nos atormentam hoje!
Assim, uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam (incluindo o passado), prossigo para as que adiante de mim estão! A nova criatura só será nova se não tiver no passado a finalidade de sua existência. As coisas antigas já passaram, mesmo as velharias do dia de ontem, 24 horas antes de eu haver escrito esse texto. Tudo virou o não-passado, pois, eis que tudo se fez Novo.

Quer dizer que o que vivi não foi vivido? Não! Quer dizer que já foi... “Fui” — é a gíria da moçada! E se eu não fui, não sou!
O que me resta? Resta-me tudo. Resta-me ser em Cristo. Ele é meu criador. Não é um lugar. Só se é filho da eternidade quando o passado perde seu poder de lugar e a eternidade assume seu não-lugar, que é sua maior realidade em nós, visto que ela habita o coração.
Assim, aprendo que não tenho poder de alterar o passado, uma vez que já foi vivido, mas, trago a oportunidade constante de viver de forma digna o Hoje – o presente – podendo ter e crer num amanha certo em Deus!
Ainda que meu amanhã me traga dores, não viverei com dores do passado, mas viverei a cada dia como sendo o último, tendo a oportunidade de neste dia chamado hoje, deliciar-me no amor de Deus, e descansar na graça que me foi dada e generosamente graciosa em Cristo.
Afinal, mais uma vez digo, basta a cada dia o seu mal!
Crendo assim, liberto da fobia do ontem – do passado – vivo o hoje na fé, certo que nada pode me separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, pois liberto do passado fui; apenas trago na memória as lembranças do ontem, podendo aprender com meus erros e acertos, crendo que apesar de terrível, todo o meu passado está crucificado com Cristo Jesus, podendo hoje viver uma novidade de vida “em” Cristo, pois Deus estava em Cristo na cruz, reconciliando consigo o mundo não imputando aos homens suas transgressões.
E como o salmista dou um brado: “bem-aventurado o homem a quem o SENHOR não imputa transgressão, e em cujo espírito não há engano”, e que alcança misericórdia e graça em Cristo.
Ou seja, o passado “já era”.... como lugar de permanência, de vivência diária e prisão, hoje, é apenas lembrança do que um dia já foi!


___ Agora, vamos analisar juntos:
Sou egocêntrico / perfeccionista / e muito sensível com críticas alheias, e ainda tenho um pouco de complexo de inferioridade por causa do "órgão" / E para arrematar, gosto de estar no controle das situações...

R: Após a explicação do argumento anterior, fica claro os motivos destas definições que você faz nesta sentença. Para superar a falta de perdão, e os traumas instalados na alma pelas experiências que teve no decorrer da vida, um modo que você encontrou para sobreviver, foi pensar em si mesmo – egocentrismo. Ainda assim, busca então uma vida perfeccionista, para mascarar as desordens interiores, não aceitando críticas alheias, pois as mesmas o fazem lembrar de que não é um homem forte, assim, não é fácil se enxergar. Usa-se então esta máscara para tentar viver. Este complexo de inferioridade vem com a impossibilidade de se aceitar como se é. Mesmo com o “membro” pequeno. Afinal, ainda bem que você tem um membro, ainda que pequeno, pior seria se não o tivesse, ou pior, se fosse impossibilitado de se relacionar intimamente com sua mulher.

O problema todo está em como você se enxerga. A projeção de tudo o que já viveu, olhando para seu “órgão” – que representa a masculinidade de um homem, e se sentindo menor devido ao “tamanho”, só o faz enxergar a si mesmo como um nada, ou nas palavras de Paulo, um raca.

Saiba que esta afirmação é verdadeira: “Tamanho não é documento”. Até porque não é o tamanho que faz com que um homem seja másculo ou não. E sim, o que você faz com ele, e o que sua companheira sente por você.

Meu irmão, está na hora de você conhecer verdadeiramente a Deus, e viver o seu casamento plenamente. Você teve o privilegio de encontrar uma pessoa que te ame, e que se importa contigo, e que esteve disposta a viver com você não levando em conta o seu passado. Ela o ama como você é. A questão do “tamanho” é coisa da sua cabeça, pois creio que sua esposa se satisfaça com você, independente do tamanho. Na vida conjugal de um casal, o que vale não é o tamanho, e sim, como é que acontece o relacionamento íntimo. Deve haver carinho, amor, desejo, respeito, muita vontade de satisfazer o outro, e entrega total. Quando se vive assim, não encontra tempo para olhar pequenos detalhes que não interferem na vida.

Justamente por estes sentimentos que você nutri a seu respeito, é que faz com que você tente estar sempre no controle da situação, e qualquer possibilidade de perder o controle, você surta.

Meu irmão, eu preciso perguntar uma coisa pra você: “Qual Deus você conhece?”

Não é possível alguém conhecer o Deus de Jesus, e viver com as limitações e traumas que você vive. Sim, penso que você tem servido o “deus” da “igreja”. E não o Deus de todos os homens.

Sim porque é impossível crer em Deus e no seu perdão, e ainda assim, não experimentar a Graça do perdão na vida. Afinal, ou a cruz me serviu pra tudo, ou ela não me serviu pra nada.

Você precisa conhecer a Deus verdadeiramente. Quando este encontro com Deus acontecer, você terá sua vida mudada. Estes traumas serão sarados. Seus complexos serão sanados. E você se enxergará um homem que teve a Graça do Perdão, e por Graça se perdoa, e por Graça caminha na vida com a certeza do perdão de Deus.

Procure ler mais o novo testamento inteirinho. Busque em Deus o perdão a si próprio. Se perdoe de verdade. E você experimentará a libertação de todos os seus medos e fobias. E ouvirá a Voz Dele num trovão não como uma repreensão, e sim, como a manifestação de Deus na terra, vendo a natureza glorificar o Seu Criador;

Espero ter ajudado mais um pouquinho!

Um grande abraço meu irmão!

Juliano Marcel
Bragança Paulista/SP
26/10/09
juliano.marcel@ymail.com
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E os do Caminho...

... têm que ser apenas gente andante, seguindo a Jesus com outros, cada um com seu nível de compreensão e percepção, porém todos desejosos de aprenderem a Cristo, conforme Jesus no ensinou ser o caminho de gente que busca se tornar semelhante a Ele.

Este é o convite aos do Caminho: tornarem-se semelhantes a Jesus no curso da jornada da fé; dia a dia sendo transformados de glória em glória; até que se vá chegando à estatura do Novo Homem, o qual se renova segundo Deus mediante a pratica do amor e da verdade.

Assim que é! Vem & vê!

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