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terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Carta: Medo de Raio e Trovão... uma história traumática...

------- Original Mensagem -----------------
De: contato Graça & Vida
Para: juliano.marcel@ymail.com
Data: 10/10/2009
Assunto: Ajuda-me a desa’fobia’r a alma... – parte I



Olá Juliano, graça e paz no Senhor!

Pois bem, eu disse que ia mudar de email e estou aquí para relatar a minha vida, para ver se você consegue detectar a causa da minha fobia por raios e relâmpagos.


Por favor, sigilo absoluto pois não é fácil para ninguém abrir o jogo de sua vida. Mas vou adiantar que tenho que ser longo no texto para você entender melhor. Eu sou o caçula da minha família que é de cinco pessoas. Meus pais, um irmão e uma irmã. Quando eu nasci, em 1963, minha mãe já tinha perdido dois filhos com problema de incompatibilidade de sangue com o meu pai. Eu também vim com o mesmo problema, a família ( pais e irmãos ) já tinham descartada a hipótese de sobrevivência minha. Então foi uma vizinha que me pegou e levou até o hospítal onde fizeram pela primeira vez aquí na minha cidade, uma transfusão de sangue.


Bom, sobrevivi. Então todos da família ( inclusive os avôs ) me chamavam carinhosamente de "milagre de Jesus Cristo". Meu Pai um homem de fé, além de trabalhar no serviço público, dedicou sua vida a igreja regendo os corais, ele era músico. Então o acompanhei durante toda a minha infância e adolescência. Ele era um referencial para mim. Eu crescí vivenciando só o ambiente de igreja e religiosidade. O pecado para mim era algo terrível. Não tive uma infância com os garotos da rua e seus brinquedos peculiares. Eu amava acompanhar o meu pai nas coisas da igreja, porque o reduto dele também era esse fora trabalho.


Quando ele ia trabalhar, como sou o caçula, meu irmãos iam para a escola e eu ia com a minha mãe para a casa das duas tias minhas que são solteiras. Vinha as tempestades elas, principalmente a minha mãe, tinha horror, e cresci vivenciando este medo,na infância, adolescencia e juventude.

Mudando de assunto. O meu pai não era uma presença muito viril, era mais um homem de personalidade boa e santa. Eu acho que isso me trouxe também um preço muito caro, por falta da psicologia do meu pai, não convivi com os garotos, algo que mais tarde veio trazer para mim tendências homossexuais.

Encurtando o assunto: depois de jovens, após os vinte anos, cai no mundo tentando encontrar a minha sexualidade e os "porques" da vida. Então entrei de cara, assumindo a minha intuição sexual, e tive uma vida ativa sexualmente com o mesmo sexo até os 40 anos de idade. Agora é quem vem o principal: mas nunca fui para casa feliz e realizado como os outros amigos meus após uma "noitada" nas orgias homossexuais. Quando deitava a noite chorava e pedia a Deus para me dar uma resposta porque sentia vergonha de ser daquele jeito e não o queria ser.


Também sofria muito com complexo de inferioridade, porque ao vivenciar a cultura do corpo como acontece nesta vida homo, sempre achei e tive vergonha do meu membro, o acho pequeno demais e sofria por causa disso também. Algo em mim dizia que eu iria mudar porque aquilo não era para mim. E eu via os casais e suas famílias, sentia inveja e desejo enorme de ser pai e criar uma família também.


Bom....quando a minha vida já não tinha mais sentido nas farras ( mas profissionalmente me tornei músico e realizado no meu trabalho ) no meu aniversário de 40 anos, decidi por um fim em tudo aquilo e disse a Deus com sinceridade:

"Olha meu Deus, estou fazendo 40 anos, vou somente trabalhar agora. Não vou sair mais, não vou nem se quer tocar em um homem ou muito menos ter mais contato com meus amigos...a partir de agora é com o Senhor...toma as rédias da minha vida e faça o que o Senhor desejar...que em tudo na minha vida seja feita a vossa vontade”.


Bom, isso foi em setembro de 2003... começou então uma vida tranquila, sem neuroses e deixando Deus levá-la. Eu estava preparando uma cantata de Natal com um coral que sou maestro numa cidade vizinha a minha, e no dia 10 de dezembro deste mesmo ano ( 2003 ) , esperando dar 19 horas para o ensaio, estava sozinho no hotel da cidade quando veio uma chuva muito forte, com vários raios e que durou cerca de uma hora e meia...depois daí meu trama voltou fortíssimo. Até mesmo de ir trabalhar nesta cidade me dá ansiedade porque agora associei ela com esta chuva e acho que todas vão ser iguais. Bom....minha vida foi passando, a parte sexual tranquila.


Comecei então a ler vários livros sobre as verdades de Deus sobre a homossexualidade e como isto pode entrar na vida das pessoas. Jamais aceitei que isso fosse normal, fosse de nascença... pois Deus é perfeito e criou o homem e a mulher para viverem juntos ou então entregarem sua castidade a ele. E achei várias respostas, buscando e me interiorizando.



Isso finalmente acabou, não fazia mais parte da minha vida a homossexualidade. Então, uma cantora que há quase 15 anos fazia parte do meu coral, encontrou comigo novamente ( ela saiu do coral quando se revelou para mim que me amava ). Bateu uma coisa diferente em mim, e começou despertar algo diferente para com ela. Mesmo assim na minha intimidade orava ao Senhor e dizia que não queria conduzir a minha vida, e sim ele , Deus, a conduziria. Mas que tudo fosse vontade dele.


Ela pediu para namorar. Mas antes, deixei ela a par tudo que tinha acontecido na minha vida. Inclusive relato fiel da minha experiência homossexual. Ela disse que não forçaria nada, que eu daria a minha decisão.


Pois bem senhor Juliano. Hà 4 anos somos casados ( casei em 2005 ) tenho uma filha MARAVILHOSA de 3 anos e meio. E agora você me pergunta: você está feliz......MEU AMADO AMIGO EM CRISTO JULIANO...NUNCA ME SENTÍ TÃO REALIZADO E FELIZ EM TODA A MINHA VIDA. AGRADEÇO A DEUS PORQUE HOJE SOU FELIZ, TENHO UM LAR, FAÇO A MINHA ESPOSA FELIZ E HONRADA, LEVO MINHA FILHA NOS CAMINHO DE DEUS E ANDO COM A CABEÇA ERGUIDA POIS DEUS ME MOSTROU E CONCEDEU A DIGNIDADE DE SER HETERO ASSIM COMO ELE ME CRIOU.


Então.... estou construindo, sou maestro profissional de 4 corais...temo a Deus como servo e tenho tudo. A única coisa que me arrasa e tira a minha felicidade é esta fobia, que não me deixa nem sair de casa para trabalhar ( isso só no verão, porque no inverno fico feliz e trabalho e vivo muito, porque não tem chuvas fortes com raios ). Eu sou um homem que já tirei os ossos no túmulo do meu pai, da minha mãe, e em 2001 do meu irmão. Sozinho, ajudei a fazer entoponamento na minha mãe no caixão com total desprendimento e aceitação.


Aí está o relato da minha vida Juliano...Deus o ilumine para que consigamos juntos "desfexar" o problema da minha fobia!
Um abraço irmão!



__________________________


Resposta:



Graça e paz, e descanso na alma “afobiada”!

Inicio assim minha resposta, porque o que li, é o relato de um homem cuja vida lhe proporcional experiências destruidoras, porém, conseguiu em Deus encontrar salvação e libertação, porém, hoje ainda traz a “alma afobiada” das experiências e traumas que ficaram guardadas no inconsciente.

Você conseguiu perceber alguns indícios do que hoje te atormenta inconscientemente, porém, estes indícios embora perceptíveis como conhecimento, não lhe é discernível nos momentos de manifestações de medo fóbico-mórbido quando dos raios e trovões.

É bom ver que conseguiu se resolver quando da sua sexualidade, identificando a causa original – ausência da virilidade paterna [o pai como a Lei e referencial masculino] – sendo que conseguiu com a ajuda de Deus, retomar a sua vida como você nasceu.

Mas creio que nestas suas andanças durante as noitadas de orgias, sua mente foi invadida de pensamentos e questionamentos dos por quês da tal vida, se não era o que você desejava. Juntamente com estes conflitos internos, o descontentamento com seu próprio corpo – afinal, você menciona na carta que tinha vergonha de seu membro - , assim, sua mente foi invadida de muitas questões, e muitas destes conflitos internos geraram complexos, traumas, oscilação emocional, baixa-estima, sentimento de auto-rejeição – daí as buscas de respostas e soluções com psiquiatras, fármacos e psicólogos.

Até que em um determinado momento na vida – aos 40 anos – você decide tomar as rédeas de sua vida, pedindo a Deus ajuda para se libertar da vida que o oprimia. Só que, não foram alguns aninhos de conflitos existenciais. Foram 40 anos. Neste sentido, fundamentou-se no seu inconsciente determinados conceitos sobre si próprio que transcendeu esta sua mudança e busca de uma vida diferente. Assim, embora, você tenha conseguido parar com a vida homo em sua prática, internamente, existe estes traumas e conflitos que ainda perduram, que a meu ver se manifestam nessa fobia astrapofágica.

Vamos conhecer um pouquinho como isso se processa: medo mórbido associado à ansiedade mór­bida. Depois de excluir as obsessões e fobias traumáticas, que "são apenas recordações, imagens inalteradas de experiências importan­tes", Freud diz: "Devemos distinguir: (a) as obsessões propriamente ditas; (b) as fobias. A diferença essencial entre elas é a seguinte:
"Encontramos dois componentes em todas as obsessões: (1) uma idéia que se impõe forçosamente ao paciente; (2) um estado emocional associado. Ora, no grupo de fobias, esse estado emocional é sempre de 'ansiedade mórbida', ao passo que nas obsessões verdadeiras outros estados emocionais, como a dúvida, o remor­so, a raiva, podem ocorrer na mesma intensi­dade em que o medo participa das fobias." (Freud)

Segundo Freud, as fobias podem ser divididas em dois grupos, "de acordo com a natureza do objeto temido: (1) fobias comuns, um medo exagerado de todas aquelas coisas que qualquer pessoa detesta ou teme em menor ou maior grau, como a noite, a solidão, a morte, a doen­ça, os perigos em geral, cobras, etc.; (2) fobias específicas, o medo de circunstâncias especiais que não inspiram medo no homem normal; por exemplo, agorafobia e as outras fobias de loco­moção". (ibid.)

Sendo assim, entendemos que na percepção de que existe uma mudança climática, cujo céu se enegrece, e entende-se que cairá chuva, com raios e trovões, seu metabolismo já altera, alterando seu estado emocional, que gera ansiedade, que o impede de sair de casa, porque sabe que estará ocorrendo uma manifestação natural que foge ao seu controle. Até o presente momento, você tem conseguido controlar suas emoções, suprimindo seus traumas e conflitos internos. Exerce então este controle que lhe dá garantias de segurança para que possa sair de casa. Porém, ao perceber que algo sairá do seu controle – raios e trovões – e que perceberá que não conseguirá controlar esta força externa (natural), surge a ansiedade e o medo mórbido do objeto opressor.

Numa linguagem figurada, raios e trovões simbolizam força e poder. Justamente, aquilo da qual você disse sentir falta em sua infância – a presença viril do seu pai. O que ocorre, é que houve então a transferência desta percepção paterna em você, para um outro objeto, o raio e o trovão. Que hoje, apesar de você estar conseguindo controlar seus impulsos internos, ainda se manifestam traumas que provavelmente você tenta suprimir. Lembremos, porém, que todo este processo é inconsciente.

Creio que há a possibilidade de você voltar à vida normal. Gozando da liberdade de ir e vir sem que tenha medo de pegar uma chuva pesada no caminho.

Isso ocorrerá quando houver a entrega total de sua vida à Deus. Sim, uma entrega total, sem limites, se desnudando para Ele, para que Ele possa mostrar-lhe o caminho a seguir para dentro, para que possa encontrar as moradas destes medos fóbicos.

Existe um programa cujo item 4 é: Fazer um destemido inventário moral de si mesmo.

Fazer este inventário necessita não ter medo. Sim, não ter medo do que podemos encontrar dentro de nós. Quando entrega-se a vida verdadeiramente e integralmente aos cuidados de Deus, precisamos dar-Lhe a chave de todos os baús que temos em nosso coração. Daí a dificuldade de viver uma vida com Deus, pois exige de nós esta entrega; e nem sempre estamos dispostos a entregar as chaves do nosso coração.

Normalmente limitamos Deus em nossas vidas. Até verbalizamos entregas e transparências, porém, nossos pensamentos e sentimentos procuram esconder o que realmente carregamos dentro de nós.


Quando ocorrer verdadeiramente esta entrega, você será curado desta fobia. Existe um salmo que diz:

SALMOS 29
Louvai a majestade de Deus
Um salmo de Davi.
29 Tributai ao SENHOR, vós, filhos dos
poderosos, rendei ao SENHOR glória
e força.
2 Tributai ao SENHOR a glória devida ao
seu Nome. Adorai ao SENHOR, por causa
do esplendor da sua santidade.
3 A voz do SENHOR ressoa sobre o bramido
das águas. O Deus glorioso troveja, o SENHOR
está sobre a vastidão dos mares.
4 A voz do SENHOR expressa força; a voz
do SENHOR é majestosa.
5 A voz do SENHOR quebra os cedros; o
SENHOR despedaçou os cedros do Líbano.
6 O SENHOR faz o Líbano saltar como bezerro;
e o monte Hermom, como cria de
búfalo.
7 A voz do SENHOR corta os céus com
raios flamejantes.
8 A voz do SENHOR faz tremer o deserto; o
SENHOR faz tremer o deserto de Cades.
9 A voz do SENHOR faz tremer as corças e
desnuda os carvalhos nas florestas. E no
seu templo todos bradam: “Glória!”
10 Acima do Dilúvio estabeleceu o Eterno
seu trono. O SENHOR reinará para sempre.
11 O SENHOR concederá força ao seu povo;
o SENHOR abençoará o seu povo com
paz.



Veja que o trovão é descrito como a Voz de Deus. Você já parou para pensar nisso?

Então, creio que o medo dos raios e trovões que você tem, tem um outro catalisador que não é o objeto em si, porém, algo inconsciente que você traz aí no peito.

Por que está abatida a sua alma, e se perturbas dentro de ti??? És capaz de esperar em Deus, cuja voz ressoa como um trovão e corta os céus como um raio???

Descanse sua alma “afobiada”, lançando sobre Ele todas as suas ansiedades, porque Ele tem cuidado de ti.

Pense no que escrevi, analise, ore, questione a si mesmo, faça uma viagem existencial para dentro de você mesmo, e procure seus medos verdadeiros. Quais são? Me responda depois desta analise.

Receba meu carinho!

Juliano Marcel


______________________________________


------- Original Mensagem -----------------
De: contato Graça & Vida
Para: juliano.marcel@ymail.com
Data: 10/10/2009
Assunto: Ajuda-me a desa’fobia’r a alma... – parte II


Olá meu amigo! Tudo bem?

Espero que sim, na santa paz!

Estou retornando porque você me permitiu fazê-lo, não quero ser um incômodo.

Primeiro agradeço a Deus por fazer caridade através dos homens, e você é sem dúvida um instrumento dele. Sábias palavras, colocastes em meu coração. ( Só não posso pagá-lo pegas consultas rsss ) Mas vou orar por você em agradecimento a Deus.

Primeiro peço permissão para continuar "a consulta" com liberdade de você responder quando quiser e sem querer atrapalhar o seu tempo.
Resumindo destaco em sua análise:


___ O poder paterno e viril transferido para os raios e trovões.

___ E o mais importante: eu queria ser pelo resto da minha vida como adolescente até os 16 anos, porque me considerava totalmente puro. Pois fui perder a virgindade com 24 anos (e infelizmente com homem).

___ No meu pensamento, Deus está horrorizado com tudo que eu fiz, e me sinto como se os trovões e raios fossem para mim diretamente. É como se, não pudesse ser feliz totalmente, e tivesse que ter algo para sofrer, entende? ( Isso é claro, inconsciente ) pois sei que ele é misericordioso e já perdoou o meu passado.

___ Agora, vamos analisar juntos:
Sou egocêntrico / perfeccionista / e muito sensível com críticas alheias, e ainda tenho um pouco de complexo de inferioridade por causa do "órgão" / E para arrematar, gosto de estar no controle das situações...

E aí..ajudou mais um pouco?

Aguardo resposta quando puder.

Um abraço, e obrigado por ser um ombro amigo, mesmo tão distante.

Graça e Paz no Senhor!

___________________________


Resposta:

Graça e paz, e todo o bem!

Obrigado pelas palavras, e agradeço pelas orações!

Querido, vejo que conseguiu em alguns momentos identificar algumas coisas que ficaram marcadas em sua vida, e que discerniu algumas questões a seu respeito. Vamos lá, seguindo suas colocações:

___ O poder paterno e viril transferido para os raios e trovões.

R: Quando mencionei isto na resposta anterior, fiz menção de usar a questão da “transferência do objeto” – a ausência desta realidade paterna, e a expectativa de viver esta realidade transferida à raios e trovões.


___ E o mais importante: eu queria ser pelo resto da minha vida como adolescente até os 16 anos, porque me considerava totalmente puro. Pois fui perder a virgindade com 24 anos (e infelizmente com homem).

R: Sua mente ainda sente falta do tempo da adolescência, onde julga ser o tempo da pureza, somente por não ter tido relacionamento íntimo. Porém, esta te engana, e te oprime, devido a experiência não saudável que teve ao se relacionar com homens. Embora hoje esteja casado com uma mulher que te ame, e tenha uma filha, ainda assim, é assolado pela realidade das experiências que geraram um trauma na sua alma que se manifesta no temor que você menciona no item seguinte.

___ No meu pensamento, Deus está horrorizado com tudo que eu fiz, e me sinto como se os trovões e raios fossem para mim diretamente. É como se, não pudesse ser feliz totalmente, e tivesse que ter algo para sofrer, entende? ( Isso é claro, inconsciente ) pois sei que ele é misericordioso e já perdoou o meu passado.

R: A contradição de suas certezas é justamente o acusador que lhe condena. Você começa dizendo que no “seu pensamento”, embora conclua dizendo “sei que ele é misericordioso e já perdoou o meu passado”. A incerteza que você demonstra no início da sua afirmação, não é coerente com a certeza com que você encerra a frase. É anti-tético. Você sente como se fosse repreendido pelos raios e trovões, justamente por achar que Deus está horrorizado, assim, inconscientemente, ao mesmo tempo em que sente julgado por Deus, sua alma clama pela certeza do perdão de Deus. E este clamor não parte da sua alma para Deus, e sim, da sua alma para você mesmo, pois, embora como encerra dizendo que sabe que Deus o tenha perdoado, assim mesmo, não acredita fielmente neste perdão. Você vive então assolado pela falta de perdão próprio. Isso é normal, pois sempre os homens projetam a Deus, as incertezas e temores que carregam no peito sobre si próprio. Assim, se você não se perdoa, o que lhe vai na mente é que por conseqüência Deus também não o perdoe, e o segue na vida, aterrorizando a você com raios e trovões que o façam imaginar que seja a condenação pela vida pervertida que teve.

É claro que uma vida assim é impossível ser feliz. É um inferno viver assim. O que fica patente, é que embora você manifeste uma consciência do perdão de Deus, você – e unicamente você – é assolado pelo seu passado, sendo este a única realidade que pode nos separar do amor de Deus!


“Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor”.

É o que Paulo escreveu no capítulo 8 aos Romanos, mas não menciona o passado! E por quê?

Por qual razão Paulo não fez questão de mencionar o passado, uma vez que ele coloca uma seqüência de coisas que em si incluem tantas outras, mas quando diz que “... nem o presente, nem o porvir...” ele não inclui ou menciona o passado?

Teria Paulo se esquecido do passado? Não! Paulo não se esqueceu do passado, aliás, o passado é uma coisa que ele traz sempre consigo.

Na verdade, quando Paulo cita uma série de coisas que não podem nos separar do amor de Deus, ele não menciona o passado, porque é nas obras mortas – portanto no passado – onde habita o “espírito da separação” do amor de Deus.

O passado é um demônio, e o único capaz de inibir nossa relação com Deus, e por conseqüência, desfrutarmos do amor de Deus.

Apesar de confessarmos Cristo como salvador, e de “supostamente” acreditarmos no Seu perdão, de uma forma ou de outra, nossa crença neste perdão não é total, ou melhor, confessamos com a boca ter sido perdoado, porém não cremos com o coração inteiramente nessa confissão que fazemos.

Não conseguimos acreditar nesse perdão de forma como Deus quer que acreditemos.

Dessa forma, a dúvida por algum pecado cometido no passado, ou numa condição de vida promíscua, ou alguma coisa errada cometida, nos faz vivermos presos neles, de forma que somos atormentados pela lembrança do passado, das situações vividas, das atitudes tomadas, e pensamos que até mesmo o mal que vivemos ou que nos é acometido hoje, seja conseqüência de alguma coisa plantada lá atrás, que vem no sentido de um carma, ou de hereditariedade, ou colheita, ou maldição que nos atormenta hoje.

Apesar de Deus dizer insistentemente que nos perdoou, e que nos perdoa, e que nos perdoará, não somos capazes de descansar nessa confissão, de colocarmos nossa fé nesse perdão.

Pois o problema é que mesmo quando Deus diz que o passado está perdoado, ainda assim, a maioria das pessoas não se perdoa por ter vivido, ter errado, ter se enganado, ter traído, ter ingerido mal os recursos, ter adulterado, ter roubado, ter falhado, ter se omitido, ter agido mal, enfim, por ter vivido de forma contrária ao projeto original.

E por quê? É que a maioria gostaria de ter vivido corretamente, ter acertado sempre, ter vivido a verdade em todos os aspectos e ter tido bom êxito em tudo.

Assim, é no e do passado que o Diabo vive. Se alimentando das nossas fobias existenciais, das nossas dores passadas, das feridas que ainda não cicatrizaram e que quando tocadas sangram, dos medos, dos traumas passados nos atormentando noite e dia!

Assim, nessa consciência, podemos dizer que quem não tem percepção da sua própria queda, nunca estará aberta à significação intrínseca da graça, que nos traz perdão e descanso.

O que fazer?

Como se livrar do passado para viver o presente, e ter esperança de um futuro seguro?
Conscientizando-se de que nada pode nos separar do amor de Deus.
Nem eu mesmo?
Sim e não! Não, apenas porque a Antiga Serpente é, entre as criaturas, mais uma das que não tem poder para nos separar do amor de Deus. Sim, porque nós somos as criaturas que podemos não crer na inseparabilidade desse amor, especialmente em razão do passado e da culpa!
As obras mortas são as que mais matam. A morte vem do passado! Mas eu agora sou filho do Dia Chamado Hoje. As distâncias, a solidão, o abismo e até os céus não podem me afastar do amor de Deus. O passado não é incluído! O passado não pode nos separar do amor de Deus, mas pode nos separar da experiência do amor de Deus! O passado pode me roubar o momento, pode não permitir o Dia Chamado Hoje de me fazer bem. Afinal, basta a cada dia o seu próprio mal.
O amor de Deus só é inaproveitado como Graça em razão das culpas e justiças próprias que viraram neurose, fobia, trauma e legalismo paralisante e auto-punitivo! — e que procedam do passado. O passado agora é neurose. Por isso é que Hoje é o dia de salvação.
Tudo isso apenas para terminar sem hesitação dizendo o seguinte: Não brinque de esconde-esconde com o passado. Você vai viver expulsa-mente preso no passado! É dele que procedem os demônios que nos atormentam hoje!
Assim, uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam (incluindo o passado), prossigo para as que adiante de mim estão! A nova criatura só será nova se não tiver no passado a finalidade de sua existência. As coisas antigas já passaram, mesmo as velharias do dia de ontem, 24 horas antes de eu haver escrito esse texto. Tudo virou o não-passado, pois, eis que tudo se fez Novo.

Quer dizer que o que vivi não foi vivido? Não! Quer dizer que já foi... “Fui” — é a gíria da moçada! E se eu não fui, não sou!
O que me resta? Resta-me tudo. Resta-me ser em Cristo. Ele é meu criador. Não é um lugar. Só se é filho da eternidade quando o passado perde seu poder de lugar e a eternidade assume seu não-lugar, que é sua maior realidade em nós, visto que ela habita o coração.
Assim, aprendo que não tenho poder de alterar o passado, uma vez que já foi vivido, mas, trago a oportunidade constante de viver de forma digna o Hoje – o presente – podendo ter e crer num amanha certo em Deus!
Ainda que meu amanhã me traga dores, não viverei com dores do passado, mas viverei a cada dia como sendo o último, tendo a oportunidade de neste dia chamado hoje, deliciar-me no amor de Deus, e descansar na graça que me foi dada e generosamente graciosa em Cristo.
Afinal, mais uma vez digo, basta a cada dia o seu mal!
Crendo assim, liberto da fobia do ontem – do passado – vivo o hoje na fé, certo que nada pode me separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, pois liberto do passado fui; apenas trago na memória as lembranças do ontem, podendo aprender com meus erros e acertos, crendo que apesar de terrível, todo o meu passado está crucificado com Cristo Jesus, podendo hoje viver uma novidade de vida “em” Cristo, pois Deus estava em Cristo na cruz, reconciliando consigo o mundo não imputando aos homens suas transgressões.
E como o salmista dou um brado: “bem-aventurado o homem a quem o SENHOR não imputa transgressão, e em cujo espírito não há engano”, e que alcança misericórdia e graça em Cristo.
Ou seja, o passado “já era”.... como lugar de permanência, de vivência diária e prisão, hoje, é apenas lembrança do que um dia já foi!


___ Agora, vamos analisar juntos:
Sou egocêntrico / perfeccionista / e muito sensível com críticas alheias, e ainda tenho um pouco de complexo de inferioridade por causa do "órgão" / E para arrematar, gosto de estar no controle das situações...

R: Após a explicação do argumento anterior, fica claro os motivos destas definições que você faz nesta sentença. Para superar a falta de perdão, e os traumas instalados na alma pelas experiências que teve no decorrer da vida, um modo que você encontrou para sobreviver, foi pensar em si mesmo – egocentrismo. Ainda assim, busca então uma vida perfeccionista, para mascarar as desordens interiores, não aceitando críticas alheias, pois as mesmas o fazem lembrar de que não é um homem forte, assim, não é fácil se enxergar. Usa-se então esta máscara para tentar viver. Este complexo de inferioridade vem com a impossibilidade de se aceitar como se é. Mesmo com o “membro” pequeno. Afinal, ainda bem que você tem um membro, ainda que pequeno, pior seria se não o tivesse, ou pior, se fosse impossibilitado de se relacionar intimamente com sua mulher.

O problema todo está em como você se enxerga. A projeção de tudo o que já viveu, olhando para seu “órgão” – que representa a masculinidade de um homem, e se sentindo menor devido ao “tamanho”, só o faz enxergar a si mesmo como um nada, ou nas palavras de Paulo, um raca.

Saiba que esta afirmação é verdadeira: “Tamanho não é documento”. Até porque não é o tamanho que faz com que um homem seja másculo ou não. E sim, o que você faz com ele, e o que sua companheira sente por você.

Meu irmão, está na hora de você conhecer verdadeiramente a Deus, e viver o seu casamento plenamente. Você teve o privilegio de encontrar uma pessoa que te ame, e que se importa contigo, e que esteve disposta a viver com você não levando em conta o seu passado. Ela o ama como você é. A questão do “tamanho” é coisa da sua cabeça, pois creio que sua esposa se satisfaça com você, independente do tamanho. Na vida conjugal de um casal, o que vale não é o tamanho, e sim, como é que acontece o relacionamento íntimo. Deve haver carinho, amor, desejo, respeito, muita vontade de satisfazer o outro, e entrega total. Quando se vive assim, não encontra tempo para olhar pequenos detalhes que não interferem na vida.

Justamente por estes sentimentos que você nutri a seu respeito, é que faz com que você tente estar sempre no controle da situação, e qualquer possibilidade de perder o controle, você surta.

Meu irmão, eu preciso perguntar uma coisa pra você: “Qual Deus você conhece?”

Não é possível alguém conhecer o Deus de Jesus, e viver com as limitações e traumas que você vive. Sim, penso que você tem servido o “deus” da “igreja”. E não o Deus de todos os homens.

Sim porque é impossível crer em Deus e no seu perdão, e ainda assim, não experimentar a Graça do perdão na vida. Afinal, ou a cruz me serviu pra tudo, ou ela não me serviu pra nada.

Você precisa conhecer a Deus verdadeiramente. Quando este encontro com Deus acontecer, você terá sua vida mudada. Estes traumas serão sarados. Seus complexos serão sanados. E você se enxergará um homem que teve a Graça do Perdão, e por Graça se perdoa, e por Graça caminha na vida com a certeza do perdão de Deus.

Procure ler mais o novo testamento inteirinho. Busque em Deus o perdão a si próprio. Se perdoe de verdade. E você experimentará a libertação de todos os seus medos e fobias. E ouvirá a Voz Dele num trovão não como uma repreensão, e sim, como a manifestação de Deus na terra, vendo a natureza glorificar o Seu Criador;

Espero ter ajudado mais um pouquinho!

Um grande abraço meu irmão!

Juliano Marcel
Bragança Paulista/SP
26/10/09
juliano.marcel@ymail.com
http://www.julianomarcel.blogspot.com/
http://www.bloggracaevida.blogspot.com/



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quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Medo de raio e trovão – Astrapofobia - Parte I e II

.:: Início / Cartas ::.



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De: contato Graça & Vida


Enviada em: quarta-feira, 30 de setembro de 2009 17:27

Para: juliano.marcel@ymail.com

Assunto: Peço ajuda!



Olá Juliano, boa tarde!



Achei muito interessantes e animadoras as palavras que lí em um texto seu no site Graça e Vida. Gostaria de pedir-lhe uma ajuda. Tenho 46 anos, sou casado, Pai de uma linda menina de 3 anos. Sou completamente feliz, um homem de fé, mas sofro terrivelmente de uma fobia que atrapalha até mesmo a minha profissão.


Quando começa a armar chuva, nem saio de casa porque tenho pavor dos raios e relâmpagos..chuva não, pois gosto muito de vê-la cair.


O meu foco de fobia está exclusivamente nos relâmpagos e raios. Já fiz muitas consultas: psiquiatras, psicólogos.... e nada.


Estou muito desesperado porque minha qualidade de vida está indo pelo "ralo" ainda mais quando chega o verão que a incidência de raios é maior.


O que devo ler, fazer ou procurar?


Pode me dar algumas palavras de alento?


Aguardo sua resposta!


A bênção de Deus e obrigado!

B.

OBS: a minha vida é cantar pois sou maestro de 4 corais.


__________________________________


Resposta:


Graça e paz, e refrigério em sua alma!


Querido, ante a sua situação atual, em primeiro lugar peço que leia o Salmo 42 – 5,11:


“Por que estás abatida, ó minha alma, e por que te perturbas em mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei pela salvação da sua face. Por que estás abatida, ó minha alma, e por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, o qual é a salvação da minha face, e o meu Deus.”


Sim, porque o que você chama de desespero e medo de trovão é o Astrapofobia. Você está com fobia de trovão e raios. Fobia (do Grego "medo"), em linguagem comum, é o temor ou aversão exagerada ante situações, objetos, animais ou lugares. Sob o ponto de vista clínico, no âmbito da psicopatologia, as fobias fazem parte do espectro das doenças de ansiedade com a característica especial de só se manifestarem em situações particulares.



Você já procurou ajuda em psiquiatras e psicólogos, como você mesmo disse, porém, apesar de dizer ser um homem de fé, esta fé se abala quando uma chuva se arma, e os trovões retumbam. Aí onde está o homem de fé??? Ou melhor, em que ou em quem está a sua fé?



Querido, você está com a alma perturbada, e a razão desta perturbação é outra. Sim, porque o problema de sua fobia é fácil de resolver, porém, o que inquieta a sua alma e se manifesta através do medo de raios e trovão, é outra coisa.



Deus é o criador de todas as coisas. Se você serve este Deus, não há razão para temer Sua criação.


O que precisa fazer é esta busca pessoal dentro de você mesmo. Sim, efetuar uma auto-analise, profundamente sincera, disposto a mexer em todas as áreas aí dentro, e abrir os baús da alma. Se desnudar diante de você mesmo. Quando isso ocorrer, encontrará a verdadeira razão do seu medo. A transferência para trovões e raios é apenas uma compensação-exteriorizada deste medo do lado de dentro, porém, não é o fim.



Esta busca tem que ser sincera e verdadeira. Nem sempre gostamos do que encontramos. Porém, para sermos curados, precisamos saber o que nos atormenta a alma.



Este salmo faz uma pergunta inicial que você pode fazer a si mesmo: “Por que te abates oh minha alma?”



Querido, por que sua alma está abatida?



Quando iniciar esta viagem para dentro de si mesmo, convide Deus para lhe acompanhar e lhe mostrar onde estão os seus medos, e quando começar identificar as possíveis causas, me escreva novamente. Aí poderei ser de melhor serventia!



No aguardo de sua resposta!



Na Graça Dele, cuja voz é como um trovão que retumba em meu coração me dando a certeza de que Nele toda fobia é transformada em certezas pela fé!


Juliano Marcel
Bragança Paulista-SP
30/09/09
juliano.marcel@ymail.com
http://www.julianomarcel.blogspot.com/
http://www.bloggracaevida.blogspot.com/


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De: contato Graça & Vida


Enviada em: quarta-feira, 30 de setembro de 2009 23:04

Para: juliano.marcel@ymail.com

Assunto: RE: Peço ajuda!



Graça e Paz meu amigo!


Que Deus o abençõe!


Me permita ser um pouco longo em minhas palavras, já que as suas foram de grande alívio e consolo para o meu coração. Sim, acredito também que a minha fobia por raios e relâmpagos, ( pois como já disse, eu amo a chuva caindo e seu barulho só me apavora os raios.) só pode ter uma outra conotação, quero dizer, algum problema disfocado para este outro. Mas posso lhe pedir um favor?... Estou decidido a lhe contar tudo sobre o meu passado desde a atualidade para você "pintar um quadro" e conseguir fazer um "diagnóstico" mais preciso sobre minha vida, e talvez achar o foco deste fobia...Posso lhe escrever novamente?...


Ok! Mas vou enviar o email em outro endereço tá bom?


Que você seja uma voz enviada por Deus a acalentar e ajudar um homem que está preso a algo que tanto lhe prejudica, no meu caso, a fobia dos raios..só isso. No mais, louvo a Deus pela linda e abençoada vida que tenho.


Um abraço e aguarde!


B.


_________________________


Resposta:



Mano amigo, graça e paz!


Claro que pode me escrever. Como disse, estou aguardando sua carta para que possa ajudar da melhor forma possível!


Receba meu carinho,


Na Graça Dele,


Juliano Marcel






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Estou frustrado com a "igreja" após experimentar a simplicidade da Graça

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From: contato Graça & Vida

To: juliano.marcel@ymail.com


Date: Fri, 18 Sep 2009 03:15:34 +0300



Pr Juliano, a Graça e a Paz sôbre sua vida!



Estou um pouco sem jeito de como conversar com o irmão por ter ficado tanto tempo Sem manter contato como devería, de comunhão ou sêr mais participativo no seu blog. Peço desculpas e sua compreensão, por só agora, procurá-lo.


Mas depois de orar, senti paz de abrir isso com o irmão, usufruir do seu valioso tempo. Obg desde já.


Quando eu estava muito desmotivado em congregrar com a família em uma igreja muito tradicional, e legalista, aqui da cidade, o Senhor permitiu que eu chegasse até os amados irmaos da comunidade da graça, e foi uma benção. Benção mesmo!


Porque foi como se abrisse um novo horizonte o qual eu podia ver possibilidades de eu me fortalecer no Senhor novamente, depois de uns tombos. Também de têr um "lugar" após eu compartilhar com os descrentes, do perdão de Deus em Jesus, e poder então ter um caminho para orientá-los indicá-los a esse local, (um caminho que flui a Graça) já que eu, por estar tão desacreditado com escrituras, não sentia vontade de orientar nenhuma pessoa para nenhuma denominação daqui, após essas pessoas aceitarem a salvação, em Cristo.
Fui Reavivado novamente na esperança, e em várias áreas Deus é testemunho deste fato, e o quanto foi motivador para mim. Aleluia!Agradeci a Ele por tê-los encontrados. Você, o Irmão Marcelo Quintela, e outros irmãos. Puder rever as mensagens do Caio Fábio. Foi MUITO sustentador para mim naqueles dias.
Mas Irmão, nestes dias tenho vivido uns dilemas pois continuo sem congregar na denominação, e há tempo entreguei o cargo de liderança de um Grupo pequeno,e outro em um ministério chamado "Homens da promessa" da mesma denom., que ao meu vêr se tratava mais de entretenimento, que comunhão e edificação como devería ser, e não ficarmos apenas no superficial, como era.


Essa minha decisão levou o Pastor principal (infelizmente) a achar que eu fiz desdém.
Mas eu quería "pegar" em algo mais que pudesse ser chamado, entendido provado como Cristianísmo. bom... isso faz já uns meses.


Perdão pala minha fraquíssima digitação. Dá um desconto celestial... rsrsrs
De lá pra cá, tentei manter contato com uns irmãos que têm o discernimento, a visão dos que Se reúnem como Igreja. Tive a oportunidade de ir uma vez lá no auditório em bsb, e ouví uma abençoda mensagem do Pr Caio Fábio.
Depois procurei se havia algo em andamento aqui na cidade dentro deste viver pela Graça. No caso, uma estação aqui na cidade. Fui informado que por enquanto não.Também eu nãoestava, (nem ainda estou) por motivos "n", capacitado pelo Senhor, a iniciar uma estação aqui como gostaría.
Então neste intervalo conheci uns irmãos da igreja local, lá de Goiânia, parentes da minha esposa, que vinham sempre por aqui. Comecei a ter comunhão com eles, foi-me passado um bom material "Alimento Diário", tenho meditado nos escritos tem sido edificante. E embora eu ainda não tenha estado em nenhuma reunião coletiva com eles, nem aqui e em nenhuma outra cidade, ainda, estou em comunhão com alguns através do orkut, e assistindo muitos vídeos. Passei a compreender melhor como é a visão, e de que estar no Senhor é que mais importa.

Acontece que a minha esposa e filho ainda vão na denominação, não têm entendimento da igreja como corpo univelsal de Cristo, independente de denominação ou continente onde o Reino DENTRO esteja, em todos Cristãos, (têr Cristo dentro sendo habitação no espírito) e lamentavelmente seguem o espírito religioso,onde qualquer que seja a atividade lá,ou serviço no Corpo, sempre há algo além do próprio Senhor,seja no serviço aos outros irmãos, ou mesmo nos muitos "ministérios"... de construção (orçado em Um Milhão) e outros vários serviços, dentro da denominação.


Sinto como se estivessem construindo mais um "reinozinho" fisico/prédio e humano/pessoal que ficará, no dia do Senhor. Pedras que não poderam ser arrebatadas.

A liderança deixa em evidência a força apenas do homem natural em vários aspéctos, ao invés de se deixarem sêr apenas um Vaso, quebrado, e assim poder fluir a "fragrânancia" conforme a vontade do pai EM e COM Jesus DENTRO dos irmãos. Operando por meio de todos, não somente nas coisas naturais, como fazer, constuir, correr, visitar sêr ativo, etc etc..... agindo meramente no lado bom da natureza humana, mas que não trazem resultados de vidas regeneradas, dispostas a negar a vida da alma, e viverem no espírito andando no Espírito, para que a glória seja sempre para o nosso Senhor.

Com isso, o quem tem havido na congregação, é um alto nível de irmãos e irmãs vivendo na prática de pecados. Não se examinam a sí mesmo. Não conseguem negar o lado pecaminoso inerente da velha natureza, há pecados entre famílias, indígnos de mencionar. Nem os aparentementes menos pecaminosas como, como fazer o bem no esforço próprio, se achar, etc



Um pouco, essas fraquezas do velho homem ficam camufladas nas atividades e programações constantes,... muitas. Resolver os problemas espirituais, que requer profundo arrependimento e confissão passa-se pelas distrações das programações e atividades. Deus tenha misericórdia de mim e me guarde.
Pastor. Eu "vejo" demais.



Quando no grupo pequenos eu fazia colocações mais voltadas para vida com Deus, para andarmos em realidade de vida, não havia, entendimento por parte dos irmãos, e em tom de brincadeiras distraíamos para o superficial, aparente, litúrgico. Fui meio convocado então, a fazer o Seminário da denominação, para poder "falar em linha" com a denom., disseram-me.
Então meu coração esfriou de vez, e fui me afastando, aos poucos, por causa dos novos irmãos, que tinham se achegado.



Irmão, você, que eu admiro muito pela sua lucidez espiritual, sabedoria que Deus lhe deu, peço a sua ajuda no sentido de um parecer quanto aos irmãos que se reúnem em locais, as chamadas igrejas locais.




Acontece que muito levianamente, têm rotulado a esses "irmãos em localidades" AQUI, pelo menos, na denominação que eu ía, como sendo apenas mais uma seita (tipo mormons) e tantas outras. Está complicado esta situação, têem destribuido livros de renomados Teólogos afirmando que se trata de uma seita. prevenindo os congregados e os novos na fé. Para os Cristãos mais tradicionais essa afirmações são blindex para se manterem sem questionarem
tal afirmação leviana.Penso que para falar denegrindo o movimento dos irmãos locais, além de teólogos, quem se dispuser, deve têr um senso de justiça que vem do próprio Justo, o Senhor, que habita nos salvos e consagrados a Ele.


Falo honestmente que, "entendo", (até hoje) que os irmãos se reúnem para dentro do nome do Senhor Jesus. E só. Não é o centro o homem,organização, denominação ou fisiologismo evangélico, ou relações meramente humanas, baseadas apenas nos afetos não Cristãos. Amado irmão, isso discirno até o presente momento. Se eu tiver errado em uns pontos ou no todo, já pedi a Deus que Ele me ilumine com a renovação da mente, nestes aspectos.



Pelo que já ví no orkut, e comunidades, a ênfase é o abandono do velho homem, o negar a si mesmo, transmitir a vida de Deus que esta dentro de todos os que já passaram pelo novo nascimento. e outros pontos que não se apóiam em doutrina de homens.


Mas aqui na cidade há um levante contra essa igreja local, o pastor falou domingo, no púlpito, que irá pregar três quartas-feira sôbre as seitas, e inclui fortemente os das igrejes locais. Acho um equívoco usar a posição como formador de opiniões, e mesmo um ambiente que devería falar da vida, Jesus, tratar destes assuntos que não edificam, só causa mais divisão. Eu não creio que devería ser assim, o que tem por trás, quais os receios, é casuísta tanta preocupação!




Não tenho feito apologia ao mover destes irmãos aqui na cidade, como alguns falaram.
Tenho feito uso do orkut para minha comunhão com uns poucos irmãos de localidades, não daqui, Então os que são da denominação, observam no orkut e dizem coisas.
Poderei até começar a convidar uns para participar de umas comunidades, assim teriam razão de falar que estou fazendo proselitismo. Pelo menos, caso tivessem um interesse genuíno, com o coração aberto, poderíam chegar a conclusões próprias sem estarem com a mente passiva, ou conhecendo apenas um lado, tendencioso.




O que tem havido aqui é uma bajulação generalizada, amor fingido, parece mais é um clube social. Eu odéio isso, me afasto, ai é que têm um motivo errado para falar que estou em seita. Eu de fato tenho um jeito introvertido mas não é o caso. O que eu tenho lido nas comunidades me enchem o caração, me atraem, sinto-me alimentado espiritualmente. Já perdi tempo demais com coisas erradas, e não tenho mais paciência de ficar só no ôba-ôba.




Por Deus...., que esta em nós, e por todos os que com eu estivemos juntos lá, na denominação... ou poder dizer como Paulo "não mais eu", ou "seja feita a Sua vontade" ou "negar a sí mesmo"... se o Senhor me mostrar, eu podería até voltar para denominação como minha esposa e outros irmãos querem.



Mas a convicção, vinda da parte de Deus, terá que está no meu coração. Caso contrário não, e eu não sei onde isso vai parar.



Caro amigo Juliano, peço que fale comigo sôbre o que escrevi, e sobre as igrejas em localidades. preciso que alguém com encargo, e que fale a verdade. Não fico melindrado, já passei disso.




Eu estou só, aqui. Os amigos que tenho aqui da denominação, se afastaram, restou um, que faz Seminário na denominação, e evitamos falar sôbre esses assuntos. Também ele não tem maturidade.




Muito obrigado por me ouvir, e por favor fale-me algo, mesmo que seja breve, tão logo o irmão leia esta.



Fico muito grato.


Graça e Paz! Jesus é o Senhor!



___________________________________




Resposta:


Graça e paz Mano, e todo o bem!


Antes de mais nada, deve-se atentar para o lugar em que estamos freqüentando, se prega o Evangelho como Ele é – Simples – ou usa-se Dele, para barganhar com Deus as coisas deste mudo e satisfação do deus-ego. Sim, porque se é do Evangelho que se fala e se vive, mano, abrace a causa, e ajude a anunciar o Evangelho. Do contrário, é sempre bom se afastar daqueles que querem perverter o Evangelho.


Sempre que surge pessoas que não estão debaixo de denominação, ou seguindo uma linha denominacional, e se não segue o fluxo do pacotão da religião chamada “cristianismo”, eles – os fariseus – a denominam seitas e heresias.


Sim, porque para eles, se não for igual a eles, falar igual a eles, e roubar como eles, não pode continuar.


Querido, acalme seu coração!


Ore, e busque de Deus o direcionamento de sua vida, Caminhando no Evangelho da Graça, vivendo a Vida em paz. Afinal, se o evangelho que eles pregam não gera vida, antes gera confusão na mente, como perturbou a sua, não é o Evangelho.


O Evangelho traz paz. Ele gera vida, afinal, João em seu evangelho diz que aquele que discerne Cristo como o Filho de Deus, e crê, têm Vida em Seu nome.


Procure estar em um local em que possa com liberdade da Graça, viver o Evangelho na vida.


Sempre vai haver um barão, querendo escravizar as vidas de outros. Lembre-se, a Cruz nos trouxe libertação. Deus nos tirou do Reino de escravidão e nos transportou para o Reino do Filho do Seu amor.


Então, aquiete o seu coração. Ore, e viva a vida na simplicidade da Graça conforme Jesus, e caminhe conforme esta simplicidade.

Sobre uma estação do Caminho da Graça, somos pessoas que não buscamos colocação ministerial, pelo contrário, temos certeza que todos somos servos. Logo, os do caminho têm que ser apenas gente andante, seguindo a Jesus com outros, cada um com seu nível de compreensão e percepção, porém todos desejosos de aprenderem a Cristo, conforme Jesus no ensinou ser o caminho de gente que busca se tornar semelhante a Ele. Este é o convite aos do Caminho: tornarem-se semelhantes a Jesus no curso da jornada da fé; dia a dia sendo transformados de glória em glória; até que se vá chegando à estatura do Novo Homem, o qual se renova segundo Deus mediante a pratica do amor e da verdade.


Assim, em uma Estação do Caminho da Graça, nos reunimos para celebrar, para bater papo de graça, para orarmos, para partir o pão, para ouvir sobre o Evangelho, e para compartilharmos experiências.


Assim é o Evangelho. Assim deveria ser a “igreja”.


Assim é o Caminho da Graça!


Espero ter ajudado ao irmão!


Qualquer dúvida me escreva novamente!


Um grande beijo...


Na Graça Dele,


Juliano Marcel
Bragança Paulista-SP
18/09/09
juliano.marcel@ymail.com
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sábado, 14 de fevereiro de 2009

Buscando aprender os caminhos do amor

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From: BUSCANDO APRENDER OS CAMINHOS DO AMOR
To: caminhojovem@grupos.com.br
Sent: Friday, February 17, 2006 10:04 PM
Subject: [Caminho] E por falar em amor ... VALE A PENA AMAR?

Ontem a reunião do Caminho Jovem foi provocante no sentido que nos levou a pensar no que considero a dificuldade mas comum, e nem por isso não importante, das nossas vidas que é a de viver e experimentar o relacionamento amoroso apesar das desilusões e frustrações decorrentes do mesmo.

A partir da pergunta acima, feita pelo Jack, passamos a discorrer sobre o que as nossas experiências fizeram-nos entender que o amor seria.

Respeitando o ponto de vista de cada um, tentei fazer uma síntese do que foi dito na minha mente, mas como organizo melhor as idéias quando escrevo, segue o que “aprendi” sobre o assunto ontem, com todos e com Deus, que não nos deixou de falar ao coração nem um instante:

Existem algumas premissas, amplamente validadas pelos testemunhos de ontem, que devem ser consideradas antes de responder a pergunta se vale ou não a pena amar;

a) O amor é eterno como ideal romântico mas pode acabar no dia a dia dos relacionamentos – Sempre existiram e existirão poetas para declamar o amor. Nossa música popular, bem como a literatura universal, está aí para mostrar que este é um ideal renovado a cada geração. No entanto esse amor tem se expressado em relacionamentos reais nem sempre bem sucedidos.
Esse insucesso ou decepção amorosa também é subsídio para artistas e compositores e acontece porque misturamos ao amor sentimentos, emoções, desejos, pulsões, expectativas irreais em relação ao parceiro, que, quando não atendidos, provocam o desgaste e por fim o fim da relação. Este sentimento de descrédito e desesperança em relação ao amor é expresso em declarações como; “na teoria é uma beleza mas na prática ...”. Na prática misturamos muita coisa e rotulamos tudo de amor, um amor pra sempre que sempre acaba, como diria Renato Russo.

b) O amor e a paixão podem até andar juntos mas são diferentes - A paixão, como disseram na reunião, é fisiológica. Dura no máximo 18 meses (dizem os otimistas que pode até chegar a 3 anos) e é seguido de cansaço, desinteresse e até aversão. Não suporta a realidade, mas é a artífice da fantasia. Na paixão as falsas expectativas são montadas e as futuras desilusões preparadas. O amor (ou o que entendemos ser o amor), ao contrário, pode utilizar-se da paixão como gatilho mas precisa que a mesma arrefeça para mostrar a sua força. Pois quem ama o outro com seus defeitos e imperfeições não o quadro pintando na mente fantasiosa da paixão. A paixão é egoísta, o amor não visa seus interesses. A paixão é impaciente, o amor tudo espera. Paixão se sente, amor se tem. A paixão vinga a ferida, o amor perdoa a falta. O amor é primo da fé e da esperança. Como eles tem em comum o fato que não se trata de um sentimento mas de uma atitude frente à realidade da vida nem sempre colorida como a pintada pela paixão. A paixão não cria amor, ele fruto de decisão como veremos a seguir, no entanto é possível tirar do amor o cultivo da paixão como alvo do prazer conjugal. c) O amor é fruto da capacidade humana de decidir – Somos , como também foi dito, o único animal capaz de decidir. Quando o homem perde sua capacidade de decisão ele está nas mão de outrem, sejam as drogas, os sentimentos, ou mesmo quem ele ou ela se declara perdidamente apaixonado(a). Não importa, quando nos entregamos às pulsões em compulsões que nos atiçam, abrindo mão da nossa capacidade de decidir e de ter discernimento vivemos ao sabor das paixões mas não do amor. Amar requer decisão e comprometimento como o que se decidiu. E essa decisão não se baseia em lógica ou razão, visto que é amor. É por isso que o amor é o princípio da graça.

d) O amor é provado por meio de ações – Em não sendo um sentimento, o amor pode até se expressado poética e musicalmente, mas se revelará nos atos e não nas palavras. e) Não se ama sem a si mesmo amar – A falta de amor próprio distorce qualquer tentativa de se amar alguém. Isso por que quem não se ama, vai procurar no outro aquilo que não acha em si, vai sugar do outro a vida como um vampiro, vai, na sua insegurança, se segurar ao outro com unhas e dentes impedindo-o de respirar. Com isso vai matar qualquer possibilidade de desenvolver no outro a reciprocidade sadia do amor. Dito isto acho que estamos prontos para responder a pergunta que nos trouxe até aqui. Valeria a pena amar? E eu responderia: Sim, vale a pena amar um amor que vala a pena! Do contrário, é melhor ficar sozinho. E esse amor existe?

Creio que sim por três razões:

1 – Deus é amor, e Ele existe.

2 – Deus é nossa referência de amor. Provou o seu amor para conosco entregando Seu Filho na cruz quando ainda éramos pecadores, ou seja, com uma ação prática e direta. Fez isso por que decidiu fazê-lo. Nada tivemos a ver com isso a não ser sermos pela graça objetos desse amor. Sua atitude para conosco gera em nós uma resposta que não poderia ser diferente. Amamos então porque ele nos amou primeiro mas amamos por conta disso e isso faz do amor uma realidade presente nas nossas vidas.

3 – Somos a Sua imagem e semelhança, portanto dotados de várias capacidades herdadas do Pai, uma delas é a de amar. Na reunião, veio-me a mente o amor de Deus como parâmetro e chave para a resposta da pergunta do Jack. Fiquei pensando nas desilusões de Deus conosco em comparativo com as nossas desilusões uns com os outros. Quem leu Oséias sabe que Deus se sentia perante Israel da mesma forma que um marido traído se sente em relação à esposa adultera (ou vice versa) tanto que fez o profeta passar por tal situação para expressar essa verdade ao povo. Não obstante, ele deu cabo sua intenção de resgatar os seus por meio da cruz, aos que amou desde o princípio. Logo, Ele nos ama! E aí o que ele faz quando lhe viramos as costas? Vai atrás da gente como bom pastor. Nos recebe com festa como na parábola do filho pródigo.

Diante de tudo isso fiz a seguinte reflexão: Valeu a pena Deus nos amar? Se a nossa resposta a essa pergunta for positiva automaticamente estaremos respondendo que o amor vale a pena, pois esse amor (o de Deus) é o pai de tudo o que possa, nas nossas relações humanas, ser chamado de amor.

E esse amor transforma, cativa e sustenta qualquer relação tornando-a resistente aos vendavais da vida.

Se cultivarmos esse tipo de amor nas nossas relações quem sabe a pergunta título dessa reflexão não seja mais tão perturbadora em nosso meio como tem sido atualmente, pois já terá resposta a resposta afirmativa de bate pronto nos nossos corações. Ao autor do amor que conheço e que por vezes expresso.

E a minha mulher, que me faz sempre pensar que esse amor é possível na relação a dois.

Ido

Caminho Brasília

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Resposta:

Ido, meu querido amigo e irmão no Caminho: Graça e Paz!

Li com muito contentamento a súmula existencial e reflexiva que você fez acerca da conversa-estudo que o Jack e a moçada do “Caminho Jovem” fizeram; e muito me alegrei com tudo; especialmente com a maturidade de todos.

Há uns dias atrás colei aqui no site um texto chamado “Uma Bula de Amores”, no qual eu desejava expressar, filologicamente, as distinções que há nas várias formas de amor, conforme as palavras gregas que nos serviram de referencia conceitual para o termo e seus derivados; inclusive mostrando que muito do que se chama “amor”, nada mais é que instintualidade compulsiva.

E mais: disse que não entender tais distinções é o que mais prejudica o encontro do verdadeiro amor, posto que falsifica a sua real interpretação.

O amor de Deus, que é aquele que tudo espera, tudo suporta, jamais acaba, e só tem prazer no que é bom, e nunca se alegra com qualquer forma de injustiça, etc...— de fato é o único amor a se buscar que esteja presente na base do ser, a fim de que qualquer outro modo de amar seja educado no amor divino. Não ter a consciência do amor de Deus em nós, é o que nos faz projetar sobre “certos amores” expectativas frustrantes e acabrunhantes para aquele (a) que, um dia, confundiu as coisas e se arrebentou.

Paixão, por exemplo, acerca da qual muito se fala nas cartas aqui do site, na maioria das vezes é apenas um estado de enfatuamento fortemente produzido por projeção, transferência, carência, paixão pela paixão, compulsão e derrame químico —; estado esse que os gregos desejavam dele fugir mais do que o diabo da cruz, pelo simples fato de que para eles, paixão era algo de natureza patológica, sendo, portanto, um surto, uma loucura, um estado de prevalência da fantasia sobre o mundo real.

É essa paixão-loucura, desacompanhada de amor e de seus nutrientes de carinho, amizade, companheirismo, fidelidade, e vida comum e constante, que, de fato, é algo ilusivo; e tendente a acabar tão logo as químicas orgânicas se arrefeçam, e os estados psicológicos de enfatuamento dêem lugar à imagem real do objeto de amor em questão.

Por outro lado, há aqueles para os quais o “amor é apenas uma questão de decisão”.

Ora, eu creio que amar é uma questão de decisão, e isto quando a manifestação do amor tem a ver com a lida de todos os dias.

Sim, você decide amar ou não; posto que o amor não é romântico, mas verdadeiro.

Portanto, não é abalável como os materiais psicológicos cuja estrutura é apenas o romance, o qual se alimenta também, bastante, de fantasia. Porém, sendo verdadeiro-amor, tem que ser verdade-amor; e, assim, não depende de fantasia para ser e existir; assim como não precisa de emulações a fim de se manifestar.

Neste sentido, amar é uma escolha existencial e de fé, e que se baseia num entendimento acerca do que Deus chama amor, e do modo como Ele nos ama.

Desse modo, por tal amor, viajo de A à Z, indo do meu adversário à minha mulher-amante; pois, há dias que tanto um quanto o outro têm que ser amados por minha decisão, e não por minha emoção. Todavia, a aplicabilidade desse amor que escolhe ser amor, cabe em todas as coisas, menos na cama de um homem e uma mulher. Sim, cabe na cozinha, nas arengas da vida, na paz que acaba com conflitos, no perdão dado ou pedido, etc...— porém, não cabe na cama de amar. Sim, porque é verdadeiro tratar a esposa com amor que “decide amar” em todos os lugares desta existência, assim como também é valido para tudo o mais.

Entretanto, na cama, não se deita e faz amor como “decisão”, mas como desejo.

Ora, a decisão procede de mim, de minha mente consciente. O desejo, porém, conquanto seja um “querer”, precede o estado consciente, e brota como fonte misteriosa da alma. Sim, brota como mistério, pois é isso que Paulo diz do encontro entre um homem e uma mulher.

Desse modo, a fim de que um casamento no qual existe desejo possa sobreviver aos embates da existência, tem que haver amor; do mesmo modo que, sendo o vínculo de amor algo que tenha seu desfecho na cama e no colchão de amar, o mero exercício desse amor que “decide”, mas não “deseja”, pode ser a morte do próprio casamento. Isto porque amar não é um acontecimento romântico (ninguém ama romanticamente um inimigo ou um contrário), mas uma decisão da consciência.

No casamento, todavia, esse amor que chega cheio de bondades, é bom; mas não agrada ao coração do outro, o qual, em tal caso, não quer somente ser objeto de bondades, mas também de desejos e alegrias que nasçam da inexplicabilidade do mistério. Ou seja: o amor entre um homem e uma mulher se alimenta não da lógica, mas da não-lógica, visto que nenhuma “equação” deve poder explicá-lo.

A paixão que vai... é aquela que é filha da “química e do enfatuamento”. Ou seja: é aquela paixão-surto da qual os gregos tanto fugiam.

Entretanto, quando se trata de um homem e uma mulher, se eles se cuidarem, se se tratarem bem, se não destruírem o respeito mútuo, e se alimentarem o amor com verdade e amizade, eu lhe digo que a paixão continua... Sim, continua porque ela não é apenas um produto “químico”, como os mecanicistas sugerem, mas também um elemento de natureza psíquica, o qual, pela sua própria natureza, sobrepuja as estações das químicas e das drogas de prazer apaixonado; podendo perdurar por toda a vida; e, muitas vezes, até crescer ainda mais com o passar do tempo.

O que tenho tentado mostrar é que o Amor é um só, mas que há muitas formas de amar; e sempre de modo próprio e adequado ao tipo de relação que está sendo tratada.

Encontrar tal equilíbrio e exercer esse discernimento é o que pode nos salvar da frieza de amores que são apenas decisões mentais, bem como nos salvar das paixões travestidas de amor, e que não passam de surtos de carência humana ou de emulação apenas química.

Um beijão para você, Ido.

No veremos no Caminho.

Nele, em Quem vale sempre a pena amar, pois, sem amor não há vida,

Caio

Fev. 2006

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quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Carta ao Juliano e Cláudia: Não aceito a opção sexual da minha Mãe!

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From: amiga do blog
To: Claudia
CC: Juliano Marcel
Subject: RES
Date: Fri, 22 Aug 2008 16:24:51 -0300


Amada Claudia,

Tenho um questionamento vindo de uma amiga, a qual vou dar o nome de “Liane (18 anos)”.
Seus pais vieram a se separar quando ela tinha 15 anos, devido sua mãe assumir um relacionamento com outra pessoa do mesmo sexo. Na época ela não recriminou porque a mãe havia “preparado território” se é que podemos chamar assim, a Liane passou a namorar um sobrinho dessa outra pessoa e quando a noticia estourou ela não ligou devido estar envolvida com este rapaz,(o que também não durou muito tempo) o que na época trouxe a ela a liberdade em troca da não recriminação.

Hoje ela finge não ver o que esta acontecendo. Não aceita essa situação e acredita que a maioria das brigas são causadas por ciúmes desse relacionamento que ela não acha certo, embora AME de forma incondicional a sua mãe.

Vejo que é tão constrangedor pra ela, tanto que nem contou isso ao seu namorado atual (o qual estão juntos a quase um ano).

O maior questionamento dentro dela é:
- Porque isso ocorreu comigo?
- Justo com minha mãe?
- Parecia ser uma família perfeita (com seus problemas normais).

Hoje ela vê sua mãe sem vaidade alguma e acredito EU que isso deve incomodá-la pelo fato dela ser mocinha ...e tal!

Como poderia ajudá-la com estes questionamentos?

Ela é uma boa moça tem ouvido meus conselhos, crê em DEUS (embora não siga nenhuma religião) confessa o quanto depende DELE. É uma benção de menina ....
Mas procura respostas pra estes questionamentos, e se puder me ajudar a aconselhá-la retorne quando puder ....


Beijos!
S.F.
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Resposta:


Amiga querida: Graça e paz!


Antes de mais nada, precisamos entender que a opção sexual é uma disfunção psíquica originada e armazenada no inconsciente. Embora o Conselho de Psicologia queira admitir que tal manifestação não seja verdadeira, e querer até caçar a licença de um profissional que ajude alguma pessoa que deseje mudar a opção sexual, mesmo sendo de vontade do paciente.

Hoje tramita na câmara em Brasília e na mídia a grande questão do projeto de lei PLC 122/2006, onde trata destas questões, mais de forma contrária a opinião da maioria, querendo beneficiar uma minoria. Mas esta não é a questão desta resposta.

Ao meu ver e entender, sua amiga se encontra num dilema. Pelo que entendi, ela tinha uma família aparentemente normal, mas aos 15 anos os pais se separaram devido a sua mãe ter uma relação com uma pessoa do mesmo sexo. Isso foi aceito pela filha, que posteriormente, após crescer e com isso a maturidade e entendimento das coisas, ela não aceita a opção sexual da mãe, e ambas estão sempre em conflito. Este conflito gera nela então perguntas listadas por você que responderei na seqüência:

1º Porque isso ocorreu comigo?

Reposta: Em sua grande maioria, de certa forma após a separação dos pais, os filhos se sentem responsáveis pelo ocorrido, ou ainda, alguém com um azar enorme, por ter em sua vida, a separação de pessoas que elas amam. Porém, em primeiro lugar ela não pode se auto-acusar pela separação dos pais. Ou ainda, se sentir como um monstro pela opção sexual que a mãe têm. Ela é apenas uma vítima de uma situação cotidiana entre milhares que acontecem no Brasil e no mundo.

Logo, o que ela precisa entender e acreditar, é que ela não é uma azarada, até porque ela não tem uma ligação direta com a opção que a mãe dela fez. A questão, é que embora na sociedade se esteja lutando pelos diretos do homossexual, isso ainda gera em uma grande maioria um certo constrangimento, preconceito e repulsa a estas pessoas.

O que estou querendo dizer é que todos inconscientemente têm em si a opinião coletiva de que o correto a se perceber como indivíduo é a opção pelo sexo oposto, e não o contrário. Isso é o natural, um homem desejar uma mulher, e vice-e-versa.

Mas o que também é inaceitável é o sentimento homofóbico de recriminar e agir com ferocidade contra tais pessoas, uma vez que embora elas tenham uma opção contrária à grande maioria, elas não deixaram de ser um indivíduo como todos os outros, que pagam impostos, que trabalham, que tem direitos como qualquer outro ser humano normal.

Não estou querendo dizer que apóio o homossexualismo, até porque sou cristão, e minha Bíblia condena tal prática, e é uma abominação ao Senhor quem assim o faz, porém, tal pessoa não é diferente de qualquer outro pecador na face da terra, o qual Deus aguarda ansioso que ela se volte pra Ele, e que seja posto no caminho certo segundo o Seu bom propósito.

A dificuldade que temos em reconhecer tal prática como pecado, assim como os demais pecados que vemos todos os dias – é que faz com que tenhamos uma atitude anti-social contra estas pessoas. Fazemos acepção de pessoas, recriminamos, os separamos, não os aceitamos como pessoas carentes da graça de Deus como qualquer outra.

É que na verdade, pedra no telhado dos outros é normal. Mas quando elas caem no nosso telhado, parece que o mundo se acabou.

Esta moça não pode se culpar, ou pensar que algo nela mesmo que fez com que ocorresse a separação dos pais, ou uma mudança na opção sexual da mãe.

2º Justo com minha mãe?

Resposta: Sua mãe é também uma vítima de um sistema maligno que opera constantemente sobre os seres humanos. E, também, é vítima de uma crise existencial. Crise de identidade, de filiação, de significado próprio, onde devido alguma coisa que aconteceu na sua infância, determinou sua atitude na maturidade, isso pode ser melhor entendido quando analisa-se o complexo de Édipo de Freud ou o de Electra de Carl Jung .

Ou ainda, já fiquei sabendo de casos em que a mulher não estava se satisfazendo sexualmente com seu parceiro, e encontrou uma amizade feminina, onde conseguiu ser ouvida como queria e compreendida como desejava, levando-a ao ato sexual com esta outra mulher, e após isso, desejou terminar a relação com o marido, por encontrar o verdadeiro prazer com a pessoa do mesmo sexo. Ela disse que a parceira conseguia fazer com que ela se sentisse verdadeiramente mulher, lhe proporcionando um prazer que nunca sentira anteriormente com seu marido. São casos que ocorre constantemente na vida.

Porém não é o natural, nem aquele planejado por Deus.

O que esta moça tem que ter em mente, é que, embora seja difícil aceitar tal opção, sua mãe não deixou de ser “a sua mãe”. Embora ela possa não concordar com a opção sexual da mãe, ela tem que continuar a respeitar sua mãe como “mãe”.

E isso exige-se maturidade. Dificilmente encontra-se pessoa com tal maturidade, porque tal situação é abominável aos olhos da maioria. Mas só quando experimenta-se na vida algo semelhante é que compreende-se como lidar com questões desse tipo.

Por se tratar de pessoas não cristãs, a princípio tem que se ter esta consciência: Embora a mãe tenha optado por uma outra pessoa do mesmo sexo, ela não deixou de ser a mãe, e merece e deve-se ser tratada como tal. Aquela questão de quem quer respeito se dá o respeito, não se aplica aqui. São questões muito mais profundas e sérias.

Indique para sua amiga onde ela possa encontrar um lugar para ter um apoio – uma igreja. Porém, com pessoas bem informadas, que possam ajuda-la, e não destruir-lhe a esperança. Nem todas as “igrejas” estão preparadas para lhe dar com tais circunstâncias.

Indico um site, onde ela pode encontrar vários textos sobre o mesmo tema:

http://www.caiofabio.com.br/

É só ela fazer uma busca no site sobre homossexualismo. Assim ela compreenderá qual o drama que a mãe está vivendo.

E mais, ela tem uma vida pela frente, é nova, e deve pensar em um futuro de alegria. Que esta experiência com a mãe possa lhe ensinar uma grande lição, e mostrar que nem sempre, ou quase nunca temos o poder de influenciar a vida do próximo, se isso não for feito com amor e carinho. E este próximo, se abrir para a experiência do verdadeiro amor que se encontra somente em Deus.

Na maioria das vezes, um homossexual está na busca pela figura paterna ou materna que não lhe foi agradável em sua infância. E reproduz esta busca na maturidade, onde procura satisfazer a insegurança que tem em si próprio nas pessoas que representam justamente aquelas na qual elas próprias se sentem vulneráveis.

Nunca devemos expressar um sentimento homofóbico contra tais pessoas. São indivíduos que precisam ser amados de verdade, e precisam se encontrar com o verdadeiro amor. Só encontrarão significado pra vida, quando experimentarem o amor que satisfaça não o desejo carnal por um orgasmo momentâneo, porém, uma satisfação que te leva ao êxtase gerada pelo inundar do amor e da graça de Deus na alma, o centro do ser, nas vísceras da existencialidade, na sua interioridade mais profunda e que não pode ser satisfeito por nenhum outro, nem por sexo algum no mundo, se não for satisfeito em Deus, na experiência pelo Espírito em nós, por meio de Cristo nosso Senhor!

Espero que possa ter ajudado de alguma forma, e que se ela puder me escrever para explicar melhor o drama vivido particularmente por ela, seria bom!

Abraços!

Na graça Dele, no qual encontramos a verdadeira satisfação e realização da vida!

Juliano Marcel e Cláudia
26/08/08
Bragança Paulista-SP
juliano.marcel@ymail.com
claudialustosa@ymail.com
http://www.julianomarcel.blogspot.com/


http://www.bloggracaevida.blogspot.com/



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Divã com Caio: Gosto de sexo e de swing, o que Deus diz? Parte I e II

-----Original Message-----
From: MENINA ANJO
Sent: terça-feira, 29 de junho de 2004 17:06
To: contato@caiofabio.com
Subject: GOSTO DE SEXO, E DE SWING. O QUE DEUS DIZ?
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Irei responder suas perguntas no curso da sua carta. Mas ao final eu volto lhe dizendo o que penso de um modo mais amplo.
Caio
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Querido pastor Caio,

Há algum tempo venho querendo te escrever e, se possível, tirar algumas dúvidas contigo. Sou uma menina de 25 anos. Fui criada na igreja, escola dominical, acampamentos de adolescentes, essas coisas. Toda a minha família é evangélica. Tive minhas experiências com Deus, e tenho toda a consciência de que a Graça dEle é melhor do que a própria vida. Bom, o meu problema, e o maior deles, é ser viciada em sexo. E de todo o tipo (pelo menos dos considerados "normais"). Recentemente, descobri o sexo com casais e os clubes de swing, e adorei. Não tenho vontade de parar. Mas tem horas que eu me pergunto: "Cara, estou servindo de joguete para essas pessoas??? Ou será que são elas que estão servindo de joguetes para a minha satisfação sexual, que nem plena é???"

Resposta: Vocês são apenas fetiches uns dos outros. E são joguetes uns dos outros. E o mal que você está fazendo a você mesma, eles também estão fazendo a si próprios.
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O que sei, de fato, é que na hora é tudo muito bom. Mas, depois, fica uma coisa estranha dentro de mim. Fica um nada. Já sentiu um nada latejando dentro de você? Antes tivesse alguma coisa... Mas é um nada??? Um buraco negro e cósmico? Nem sei explicar o que sinto.

Resposta: Sim, já senti esse "nada". Conheço a promiscuidade. Fui um adolescente e jovem muito promíscuo. E conheço esse sentir... E o problema é que ele é insuportável. Depois de um tempo ninguém o suporta sem se drogar e ir se destruindo todo. Vira pasta, ou sopa. A pessoa é comida por dentro. A alma perde a solução que lhe é própria.
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Eu não tenho parceiros fixos. Gosto de homens e mulheres - juntos, ou separados. Em função disso, já recebi tantas "profecias" que nem dá pra imaginar! Dentre as pouquíssimas pessoas com as quais conversei sobre o assunto, duas "revelaram" que eu iria para o inferno, sendo que me deram prazo de morte - segundo o "conhecimento" delas, vou morrer em quatro meses, se não me "consertar e parar de brincar com Deus. Isto porque dizem que "Ele tem uma obra muito grande na minha vida e tem pressa de me usar". Escuto isso desde menina. O que seria essa "obra" específica de Deus? Será que isso existe?

Resposta: Quando alguém pára o tipo de comportamento que você tem tido, e o faz por medo do inferno ou porque Deus "tem um plano maravilhoso", quase nunca o resultado é bom e sadio. Normalmente o que acontece é que o medo faz supressão do comportamento, mas não elimina a causa da compulsão, pelo contrário, apenas a exacerba, fazendo com que o segundo estado seja pior do que o primeiro. Já a "parada" em respeito ao "plano maravilhoso", em geral põe a pessoa num processo psicológico de barganha com Deus e com a alma. Nesse caso, a pessoa acaba virando uma testemunheira de seu próprio caso, e sai por aí "vendendo a sua história de promiscuidade" como conversão, sem saber que tanto alimenta as fantasias dos outros-os que taradamente ouvem-, como também cria em si mesma uma outra forma de sentir prazer no sexo, e que vem da dimensão "oral" da vinculação com ele. E quando eu disse "oral", estava sendo irônico, pois não se trata da "fase oral" da sexualidade-ligada ao ato de mamar-, mas sim estou falando da substituição do ato sexual pela verbalização dele como "testemunho". Com relação a sexo promiscuo há dois prazeres: um é fazer, o outro é contar. Assim, quem pára...mas fica falando no assunto...na forma de testemunho...ainda está no vício...visto que já não faz, mas vive de dizer que fez e do prazer de contar. E, assim, tudo continua a ser apenas doença travestida de testemunho. Deus tem vida para você, e isso basta. E se o chamado à vida não lhe for suficiente e nem motivador, que outra proposta poderá lhe fazer bem? Você precisa ser curada disto por amor à vida, não a um suposto plano utilitário de sua existência. Ou será que a vida não basta?
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Pastor, desde que conheci a Graça do meu Jesus, em todas as minhas atitudes para com o meu próximo, o que eu faço é tentar apresentá-la a quem está em minha vida, sejam amigos, familiares ou parceiros sexuais. Inclusive àquelas pessoas com quem eu me deito, mesmo com um nível ínfimo de intimidade... Parece paradoxal esse tipo de "evangelismo", mas, se há a oportunidade, por que não falar sobre o meu Jesus? Estaria fazendo algo contraditório se, depois de uma transa, em uma oportunidade, por menor que fosse, falasse acerca da graça e da salvação que Ele nos oferece?

Resposta: Minha querida, esse "evangelismo" é tão coerente quanto assaltar, e depois pregar; roubar, e depois falar de solidariedade; enganar, e depois falar em verdade; estuprar, e depois falar de livre arbítrio!
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Fico em dúvida também sobre contra quem exatamente estou pecando. Já sei que peco contra o meu próprio corpo quando me deito e troco fluidos com pessoas das quais muitas vezes nem sei o nome; mas, eu estaria pecando contra o meu próximo, se o desejo é mútuo e quase incontrolável? Existe essa responsabilidade sobre mim?

Resposta: Uma orgia, uma suruba, ou o swing, são formas de praticar uma enfermidade de modo coletivo. Daí não haver nem intimidade e nem amor. Conforme Paulo diz em Romanos cap. 1-praticas às quais ele fazia referência no texto-, "tais pessoas são entregues a um estado mental reprovável, daí o cometerem torpezas entre si"...e é por esta razão que elas se corrompem, posto que não apenas trocam fluídos, mas energias psíquicas e espirituais. A promiscuidade significa a ingestão de um coquetel de veneno psicológico e espiritual.
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Uma amiga minha, muito conhecida no meio evangélico, me disse que o Espírito Santo saiu de mim e que só vai voltar quando eu me tornar uma pessoa "santa". Mas, sinceramente, tenho um outro conceito de santidade, que não se resume apenas a comportamentos sexuais, linguagem torpe...etc. E é justamente esse outro conceito de santidade que busco seguir: ser verdadeira com Deus, me rasgar pra Ele, dizer "SENHOR EU NÃO QUERO, MAS EU FAÇO. QUERO FAZER O BEM, MAS ACABO FAZENDO O MAL!" Só que na hora em que tudo está rolando eu nem penso nisso. Não sinto culpa nem medo; apenas a libido fazendo chacoalhar todo o meu corpo. Mas, depois, quando a festa acaba, vem esse "nada". E aí é ele que me domina. Minha cabeça vai ficando confusa, e até o meu corpo adoeceu. Fui a dois médicos por causa de duas questões diferentes, e ambos disseram que o meu emocional está me criando uma série de problemas de saúde.

Resposta: Ninguém tem o poder de dizer de quem o Espírito se ausentou. Pode-se apenas dizer que "as obras da carne" estão mantendo você em escravidão. Leia aqui no site o texto "a Graça e a cura das taras humanas" e você entenderá o que quero dizer por "obras da carne", e acerca de seus agentes de pulsão interior.
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Eu sei que não devo, mas sempre cedo... e isso ainda está fazendo surgir um processo esquisito em mim: não consigo me apaixonar, nem por homens nem por mulheres. Tenho alguns envolvimentos, que não chegam a ser paixões, muito menos amores. Mas fico sempre no raso. E o que é mais estranho de tudo isso é que eu tenho muita vontade de me casar, de dividir a minha vida com alguém legal, de ter família, filhos, continuação de mim mesma. Mas, para uma pessoa que tem vivido uma vida tão promíscua, ainda existe essa possibilidade?

Resposta: Sim, você ainda pode ser curada, mas você tem que querer mesmo. Sem o desejo pessoal de que haja cura, cura não haverá. Mas muitas vezes a pessoa tem que ir ao fundo do abismo para buscar uma saída... Espero que você não tenha que fazer essa viagem.
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Eu acho que não conseguiria me manter fiel a algum namorado, a não ser que eu o amasse demais, e que ele me amasse da mesma forma também.

Resposta: Aqui está a sua confissão de insegurança essencial. Você precisa ser amada mais...para que você possa crer em alguma entrega. Sua insegurança gera a mais profunda desconfiança. E quem parte desconfiado jamais terá como amar. Amor não nasce sem alguma confiança, em algum momento. Você não consegue confiar na possibilidade de que você seja capaz de receber amor de ninguém, e isto porque você não se vê confiando o suficiente para amar alguém. Você está sendo medida pela mesma medida com a qual você mede. Esse é o juízo do juízo. E tenho uma coisa a dizer: Você faz swing, mas é moralista. Observe as suas próprias palavras quando você fala "dos outros". Há muito juízo. Daí seu tormento ser tão grande. Quem não quer se enxergar, sempre enxerga mais "os outros"...mas neles se vê refletido, e odeia o que vê. Tais pessoas tendem a não ter consciência própria, tendendo a existirem entre os papeis morais, para fora, e a promiscuidade moralista, para dentro. Daí serem tão capazes de passar de um ambiente para o outro, visto que elas se orientam pelos "outros". É uma espécie de Sindrome de Legião. É a possessão do Super-Ego, só que esquizofrenizado no comportamento, como acontece sempre. Somente a consciência própria pode salvar o ser essencialmente inseguro de mergulhar na diluição da Legião dos Outros.

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Deus interfere nisso, pastor? Ele guia uma pessoa até a outra, fazendo com que os caminhos dessas se encontrem? Fui ensinada a crer que sim, mas isso nunca foi bem assimilado na minha cabeça. Então, se Deus escolheu o meu marido, nesse ponto Ele anulou o meu livre arbítrio, que me foi dado desde o dia em que nasci??? Estou vendo tantos casamentos fracassados por aí, casamentos "profetizados" e abençoados por todos, mas que na verdade acabam, sinceramente, como um sepulcro caiado.

Resposta: Minha querida, Deus interfere em tudo que a gente reconhecer como doença e buscar cura. Todavia, Deus não faz ninguém se apaixonar por ninguém. Ele apenas cura o interior dando ao indivíduo o "potencial de vir a gostar de alguém", mas Ele mesmo não é Cupido, Ele é o Deus dos deuses, não uma divindade grega. No entanto, para que você ame a ponto de não trair, você precisará, antes, estar curada dessa multifocalidade de seus desejos e emoções. É aí que mora a doença de sua alma.
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Pastor, quanto a essa questão do swing, da troca de casais no sexo, o que está havendo com essas pessoas? Isso demonstra que elas realmente não se amam ou o swing seria apenas um fetiche, uma fantasia sexual, e que pode fazer parte da cabeça de qualquer pessoa?

Resposta: Basta olhar para você mesma e você as entenderá. Ou você pensa que elas sofrem de algo diferente? As causas psicológicas podem ser distintas, mas o resultado interior é o mesmo. As mesmas pessoas que gargalham no swing são também as que experimentam o mesmo "nada" que você. E voltam à pratica exatamente pela mesma razão que você volta. Portanto, se enxergue e você também os enxergará.

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Gostaria muito que o senhor pudesse me responder.

Muito obrigada pela atenção e um beijo.

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Resposta:

Minha querida filha: Que a solução de seu ser não se dilua!

Você falou apenas dos sintomas, não das causas. Vício sexual é sintoma, não causa. As causas, em geral, são de natureza psicológica, e quase sempre têm a ver com insegurança. Portanto, seria essencial ouvir acerca de sua criação, histórico familiar, o modo como seus pais expressaram a sexualidade deles para com os filhos, e também como o tema sexual foi tratado em família.

Além disso, é igualmente essencial saber quando o "coceira" começou; ou seja: que idade você tinha, e como foi que aconteceu. Ora, quando você me responder essas questões, eu poderei ser mais claro e preciso com você no que diz respeito a se buscar a cura. Até lá posso falar apenas dos efeitos desastrosos desse comportamento, e de suas seqüelas terríveis para a alma, para não falar de qualquer outra área da sua existência.

É minha convicção que a promiscuidade é pecado, sobretudo, porque ela dissolve o ser da pior maneira possível. Ninguém que viva como você está vivendo passa intacto pelo processo.

A dissolução é aquilo que tira a solução interior da alma, fazendo com que o indivíduo se torne uma "pasta", não mais um ser com forma interior. A continuidade nessa pratica vai diluir a sua alma. E não é preciso ser profeta para dizer isto.

Esse "nada" que você está sentindo corresponde a essa falta de "solução", de conteúdo sólido para o ser, e expressa o caminho existencial de uma alma viciada no gozo de um momento.

Quem privilegia apenas momentos acabará sem vida como algo contínuo. Além disso, essa sua queixa de que não consegue amar ou se apaixonar, também tem seu nascedouro aí, nesses estado de coisas. O que complica ainda mais a situação é o fato de você ser mulher. Eu creio que Deus colocou na mulher um foco especial no amor.

Daí estar dito que o "desejo da mulher" ser "para o seu marido".

A mulher, portanto, naturalmente, é focada num único objeto de desejo, e que sempre corresponde ao objeto do amor.

Quando, porém, a mulher se vicia em sexo com a mesma avidez do vício sexual de um homem, então, seu estado interior se agrava muito mais, visto que o homem entra e sai de tais processos com grandes diluições interiores, mas ainda muitos menos estilhaçado que uma mulher. Isto porque na mulher a ruptura com o padrão psicológico é muito mais profundo quando está implicada a entrega ao sexo sem carinho e amor. Homens viram pasta. Mulheres viram sopa.

Não brinque com isto. Já vi desastres acontecerem em razão de pessoas haverem pensado que poderiam fazer gestão disto em suas almas. Simplesmente chega a hora em que a coisa toda explode, e as conseqüências podem ser terríveis. Uma prostituta sofre infinitamente menos que uma mulher viciada em promiscuidade.

A prostituta está "trabalhando", e não gosta de sexo; em geral, não com quem paga para ter sexo com ela. Até a prostituta quer ter o privilégio de “dar”, não de vender, ou de fazer por fazer. Ela apenas se deixa usar de modo "isento". Mas alguém como você está muito mais ligada ao sexo do que uma prostituta.

Sexo, para você, é heroína, é droga. E o modo como você o pratica equivale a "tomar na veia".

Ou seja: os resultados jamais serão vida, mas morte.

Espero que você me escreva contando as coisas da base...da essência do problema. Portanto, leia o que eu disse no início da carta—e durante a sua carta—, e me escreva contando tudo. Se você desejar, sem dúvida que lhe haverá ajuda. Mas você tem que querer. Se não desejar, não escreva. Mas quando escrever, o faça porque você quer ajuda de verdade. Um beijo carinhoso e minhas orações por você!

Nele, em Quem se pode encontrar libertação,

Caio

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-----Original Message-----

From: VICIADA EM SEXO E SWING. O QUE DEUS DIZ? (I e II)
Sent: domingo, 18 de julho de 2004 17:57
To: contato@caiofabio.com
Subject: VICIADA EM SEXO E SWING. O QUE DEUS DIZ? (I e II)

Pastor Caio,

Assim que recebi sua resposta quis escrever de volta imediatamente, mas não tive a oportunidade. Nem imaginei que me responderia tão rápido; afinal, sei que você tem muitas cartas para responder, que talvez tenham chegado bem antes da minha. Fiquei pensando em tudo que você escreveu. E, desde então, comecei a perceber que a minha alma se encontra num processo terrível de adoecimento. Ela está mesmo virando sopa, e daquelas bem ralas. Mas o que eu mais temo com isso é não somente a minha própria doença, mas, através dela, adoecer as pessoas com quem convivo.

Nem sei te explicar como tudo isso começou. Mas vou tentar.

O casamento dos meus pais foi muito mal sucedido. Meu pai era um cara muito ausente. Uma ótima pessoa, mas um péssimo marido e um pai sem a menor psicologia.

Claro que tudo isso se explica pela história dele; esse tipo de coisa é como uma bola de neve. Eu era criança quando ele morreu.

Eu e meus quatro irmãos ficamos rolando nas mãos de babás e parentes durante um bom tempo, pois, também a minha mãe precisou ficar hospitalizada devido a um problema de saúde.

Mas a minha mãe sempre conversou comigo sobre sexo, amor, namoro, gravidez... sempre comprou muita literatura a respeito, e sempre tirava as minhas dúvidas. Ela teve muito namorados, mas eu não gostava deles, e com isso as minhas referências masculinas foram se tornando cada vez mais fracas, até chegar ao esmorecimento.

Ela sempre me deu muita liberdade, até demais; e hoje ela mesma reconhece que deveria ter me dado mais limites, e, como eu nunca tive medo de nada... enfiei a cara em tudo que é experiência sexual.

Minha mãe sempre foi ótima, mas sempre se deu muito mal nos relacionamentos conjugais dela.

Com isso, eu sempre dizia que não seria igual a ela, e confundi os conceitos de submissão e respeito.

O pavor de ser como ela me fez seguir um caminho contrário, o da extrema rebeldia. E eu sempre disse pra ela: “eu nunca vou ser uma mulher como você”.

Eu sempre fui uma criança meio esquisita, no sentido de não ser como as outras. Não me interessava pelas coisas que as crianças se interessam. Era uma menininha muito inteligente, perspicaz e sensível demais. Me enfiava nos livros, e bem pequena ainda comecei a inventar as minhas próprias histórias.

Acho que na verdade eu queria que a minha realidade fosse diferente.

No começo da adolescência, comecei a conhecer os meninos. Ficava com todos eles. E, como todo mundo dizia que eu era “piranhinha”, acabei mesmo me tornando uma. Eu tinha aí uns doze anos.

Depois, comecei a emagrecer horrivelmente, isso na adolescência. Minha auto-estima ficou no pé. Era amiga de todo mundo, mas o mundo masculino ficou completamente distante de mim. Ou eu dele.

Via todas as minha amigas namorando, felizes, e eu, sempre na minha. Não era feia, mas meu corpo me incomodava. E isso na adolescência é uma questão muito séria... embora bonitinha e muito extrovertida, não conseguia namorar, e na única vez que eu me apaixonei por um menino, aos 13 anos, me dei muito mal. Fui me declarar pra ele... e ele me disse que estava apaixonado pela minha prima! Eu chorei durante meses e meses... e isso pirou a minha condição pois, se eu já era magra e não comia quase nada, imagina depois disso.

Empurrei minha sexualidade pra dentro, tratei de estudar e de tirar boas notas, e também comecei a me sentir responsável pelas almas a minha volta. Com isso, me tornei uma pregadora mirim da Palavra. Movi campanhas, reuniões, e muita gente veio conhecer a graça de Deus através disso.

Fiz isso com todo o meu coração, pastor, e com verdadeiro amor a Deus, mas é óbvio que usei como álibi, ainda que inconscientemente, por não saber lidar com a sexualidade. Acredito que comecei a emagrecer e a “enfeiar” por algum trauma; afinal, desde a pré-adolescência eu ficava com todos os meninos que apareciam na minha frente.

E, como todos diziam, “a filha de dona fulana é a maior piranhinha”, acho que eu quis me desfazer desse rótulo e com isso suprimi minha sexualidade durante um bom período da minha vida.

Com o tempo, já adulta, comecei a ganhar corpo, e, de repente, a ser muito desejada, tanto por homens quanto por mulheres. Engraçado que até então eu nunca havia pensado na possibilidade de me relacionar com mulheres. Um dia, aconteceu. E desde então, não parei mais.

E assim, ficando com mulheres e homens, foi que comecei a transar com casais. É como eu te falei: na hora é legal, mas, depois, nem deprimida eu fico: não sinto, não choro, não lamento.

E essa indiferença é o que realmente me preocupa.

Não freqüento mais os clubes de swing, perdi a vontade. Mas ainda gosto de transar com casais conhecidos.

Tem horas que questiono se esse tipo de prática pode abalar o casamento deles; e aí, sim, me sinto culpada.

Li em uma das suas respostas, que as únicas pessoas que você conhece e que vão para o inferno, são as que lançam outros no inferno.

Fico me perguntando se não me encaixo nessa primeira condição. E essa possibilidade me faz sentir muito mal.

Honestamente, não sei o que acontece comigo.

Já me perguntei inúmeras vezes se sou ninfomaníaca. Mas acho que sei me controlar. Eu apenas não gosto de me controlar. Mas eu tenho que aprender! Não é possível alguém viver assim!

O que acontece, é que não encontro sentido na vida. Daí, qualquer coisa é lucro, qualquer diversãozinha preenche momentaneamente essa cratera que se formou em mim. Tenho medo de nunca mais amar alguém na vida.

Não quero me tornar uma sopa rala, e com isso jogar fora todos os meus sonhos.

Agora, eu tenho um namorado, mas ele não sabe de nada disso. Nem posso contar, pois morro de medo da reação dele. Quando começamos a namorar, eu estava bem envolvida, mas não apaixonada. Pastor, eu realmente quero e preciso parar esse comportamento, mas nem sei como.

Acho que estou doente da alma.

Eu nem posso conversar sobre isso com ninguém. As pessoas nunca estão preparadas para “escândalos”.

Como sei que você não se escandaliza com nada, eu escrevi, na esperança de receber alguma resposta madura e desdemonizada, porque eu sei que o que de menos tem nessa historia é armação do diabo, mas sim as minhas próprias doenças manifestas em desejos profundos e avassaladores.

Obrigada pela atenção, pela gentileza e pelo carinho.

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Resposta:

Minha querida irmã e amiga no Caminho: Graça, Paz e Perseverança!

Como você já deve ter notado eu gosto muito das coisas da alma, e, por conseguinte, gosto de muitas das abordagens psicológicas que podem ser feitas na intenção de ajudar alguém a ficar livre de pesos e distúrbios que acometem a alma humana. No entanto, quanto mais vejo e estudo, mas percebo que as "leis de interpretação" psicológica só se tornam úteis quando um comportamento se torna disfuncional. Antes disso, nunca.

Ou seja: se alguém chega e conta um comportamento disfuncional e o calça como uma história como a sua, psicologicamente o comportamento está "explicado". No entanto, não se explica porque existindo no mesmo caldo cultural e psicológico apenas você, entre os irmãos, foi vitimada pela disfunção familiar.

Bem, alguém diria que é porque, entre todos de sua casa, era a mais frágil ou suscetível.

Eu, todavia, penso:

"Nesse caso, a suscetibilidade é tão forte, que acaba sendo maior que a cultura disfuncional da família, pois, do contrário, todos em sua casa teriam que carregar alguma outra importante seqüela".

Ora, estou dizendo isto apenas para lhe falar que a psicologia, no seu caso, pode apenas ser um "álibi em-si", e que muito mais justifica que explica o comportamento, no seu caso.

Ou seja: lendo a sua carta vi que você mesma se serve da explicação psicológica a fim de "entender" o seu caminho.

Sua história, do ponto de vista psicológico, está bem "arrumada" em sua cabeça. Portanto, está tão bem “compreendida”, que a psicologia já nem ajuda mais... Sinceramente, mais do que na família, para mim, sua fragilidade vem da "igreja".

Pelo visto você foi muito envolvida na igreja durante a adolescência, e deve ter sido muito traumatizada sexualmente pelo ensino autoritativo da figura masculina do “igrejo”. Interessante: igreja deveria ser mãe, mas no meio cristão evangélico, a igreja é igrejo, um ente masculino e cheio de autoridade e desejos reprimidos.

Ou seja: o que a sua mãe abria, mas o "igrejo" fechava.

E como a "igreja" tem um papel autoritativo em sua alma—e lhe faltava uma referencia deste tipo—,então, a tensão entre a liberdade da mãe e o limite da igreja, fez uma síntese aflita em sua alma: você não tem vontade de “se segurar” em relação a nenhuma pulsão (liberdade?), e não faz nada do que faz sem a culpa da igreja (limite?).

Assim são a mãe e a sua igreja para você. Sua mãe é a anti-referência de mulher—"eu nunca serei uma mulher como você"—, e sua "igreja" é sua "consciência", especialmente porque, como disse na outra carta, você parece entregar esse papel de consciência pessoal para "outros"; ou seja: você parece não ter consciência própria, mas apenas a toma por empréstimo dos outros como um espécie de super-super-ego.

Então, tudo o que você faz fica assim: entre a explicação psicológica que se atrela à sua família e o esmagamento que você importou da "consciência da igreja", e que atormenta a sua própria alma.

O que vejo em você é uma menina inteligente e interessante, e que achou uma boa explicação para liberar seus instintos, e que os sofre em razão de fazê-lo como transgressão contra a sua "consciência importada".

Sobre em sua adolescência você ter pregado e feito muitas coisas em nome de Jesus, lhe digo que isto faz parte desse mesmo padrão psicológico. Se você for ver, mais ou menos 90% das pessoas que "testemunham" na igreja, ou que se tornam seus pregadores espetaculares, carregam uma história no saco muito parecida com a sua. E a maioria já havia convivido com a "igreja".

Ou seja: estamos falando de “doença de igreja”.

Aliás, essa é uma "classificação" a ser buscada.

Explicando:

Uma menina sem pai, e que tem uma mãe legal e amiga, e irmãos normais apesar de tudo, e que cresce na igreja—depreendi isto pelo modo normal com o qual você definiu sua presença na igreja desde sempre—, e que existe entre dois mundos: um aberto e outro muito fechado, e que sofre a “liberdade” como compulsão na mesma medida em que experimenta a “autoridade” como repressão. A liberdade é a sua mãe. A autoridade é a "igreja".

E no meio está você, sentindo as repressão da igreja como compulsão, e a liberdade de sua mãe como culpa que alimenta mais profundamente a própria compulsão.

Assim, quanto mais culpa de super-egos adotados, mais compulsão; e quanto mais compulsão, mais culpa...e isso não tem fim. Ou melhor: tem fim. Mas esse fim não é o fim, é apenas uma defesa, posto que ninguém consegue viver culpado o tempo todo, daí, muitas vezes, a culpa ir se tornando um desespero frio e indiferente, mas nem por isto menos incomodo e desagregador.

Prova disso é que apesar da “frieza” que você disse estar acontecendo com você, assim mesmo você está me escrevendo.

A maior prova dessa culpa é o fato de você ter si colocado no inferno por conta própria, e isto em razão de você poder estar fazendo mal aos casais com os quais você fez ou faz swing.

Ora, cada um ali é adulto, e que cada um responda por si mesmo.

Afinal, se fosse assim, todos estaríamos muito mal, visto que existir no mundo já é um atestado de cumplicidade com todos os males da Terra.

Todos comemos e bebemos o pão e a água de todos. E todos nós fazemos parte do mesmo sistema de morte e retro-alimentação de doenças humanas.

Portanto, minha querida, pode se descandidatar ao inferno porque você não é filha dele e nem está indo para lá. Verei você “de branco” andando com os filhos da perseverança e tendo acesso à Árvore da Vida, cujas folhas são para a cura dos povos.

Portanto, não estamos falando da eternidade, mas do tempo; não estamos falando do além, mas da vida na Terra. Afinal, é na Terra que a gente pode conhecer a "vida abundante" que Jesus prometeu em meio aos lobos, mercenários, ladrões, e perigos (João 10).

O Evangelho é para Hoje, não para a eternidade. Lá em não precisarei de Evangelho, visto que lá eu já serei um herdeiro da promessa do Evangelho.

Daí o Evangelho ser para Hoje, e apenas para Hoje.

Há algumas coisas que desejo lhe dizer:

1. Você não precisa de um psicólogo, você precisa é ouvir a Palavra de modo saudável e libertador. Ou seja: se você morasse aqui no Rio—eu não sei onde você reside—, eu lhe sugeriria que freqüentasse UM GRUPO DO CAMINHO. Sei que você, em seis meses, estaria com sua cabeça tranqüila e organizada nessa área. Somente a consciência do Evangelho gera liberdade sem dissolução.

2. Você não é lésbica, ou gay, ou bi-sexual. Você é apenas uma menina que está aí “pro que der e vier”. Só isto. Portanto, havendo ‘calma como cura’, e ‘paz como saúde’, você encontrará o seu caminho sem dificuldade. Quando sua mãe e a igreja estiverem reconciliadas em você, tudo isto vai acalmar...e você ficará tranqüila como um rio, e terá paz.

3. Não fique contando a sua história para ninguém, muito menos para o seu namorado. E quando as coisas se acalmarem—e elas irão se acalmar—, também não dê testemunho desse fato. Viva a paz e a libertação para você mesma. Jesus não precisa dessa "publicidade". Aliás, Ele não precisa de nenhuma forma de publicidade. Quem é, é!

4. Comece a exercer controle sobre você mesma. E não escolha o ‘lado errado’ para controlar (coar o mosquito e engolir o camelo). Nesse caso, seja normal e fique à vontade para namorar, mas se controle quanto à dissolução. Ou seja: no swing e na promiscuidade você perde a solução, já no namoro bom e sadio você pode ir ganhando sua própria solução de volta.

5. No momento não se preocupe com amor e paixão. São questões para depois. Hoje nós ainda estamos lidando com a reorganização de sua alma. Depois a gente trata desses outros luxos da alma.

Pense no que lhe disse. E mais: não ore sobre o tema. Apenas ame a Deus com gratidão, e pare de orar como quem se condena. Ore em paz.

Veja:

Eu sou mal, e você confia em mim e no meu entendimento. Ora, se é assim, confie Naquele que é Bom, e que ama você, e conhece a sua alma e não a despreza.

A questão de Deus nada tem a ver com pintos e genitálias. Ele deseja é que tenhamos paz e vida. As demais coisas são acidentes do percurso, e podem acontecer com qualquer pessoa.

Um pequeno desvio na percepção ou nos sentimentos, e muita coisa pode mudar no comportamento.

Deus, todavia, não é impressionável e nem escandalizável.

Portanto, confie Nele! Agora chegou a hora de você parar de ficar debatendo seu problema e partir pras cabeças.

Sim, chegou a hora de você buscar ter sua própria consciência, e de fazê-lo sem medo, e sempre visando o que é bom para a vida.
Continue me escrevendo. E se você vier até aqui, visite-me.

Nele, que nunca despreza a alma de ninguém,

Caio
Copacabana
29 de junho de 2004 17:06
Três meses e dois dias após a partida de meu filho Lukas para a casa do Pai.

http://www.caiofabio.com.br/


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E os do Caminho...

... têm que ser apenas gente andante, seguindo a Jesus com outros, cada um com seu nível de compreensão e percepção, porém todos desejosos de aprenderem a Cristo, conforme Jesus no ensinou ser o caminho de gente que busca se tornar semelhante a Ele.

Este é o convite aos do Caminho: tornarem-se semelhantes a Jesus no curso da jornada da fé; dia a dia sendo transformados de glória em glória; até que se vá chegando à estatura do Novo Homem, o qual se renova segundo Deus mediante a pratica do amor e da verdade.

Assim que é! Vem & vê!

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