quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

O medo como neurose e fobia religiosa espiritual

Creio que o grande problema dos cristãos nos dias de hoje é o medo. Parece até bobo falar sobre isso, mas é a melhor definição que posso propor para o que tenho visto.

O medo, ao contrário do que pensamos – em sua inofensividade – pode nos trazer grandes problemas, e sérios males para nossas vidas.

Medo por definição é a perturbação resultante da idéia de um perigo real ou aparente.

Junto com o medo temos algumas outras coisas também como à fobia que é o nome genérico das várias espécies de medo mórbido e ou aversão a alguma coisa; e também os traumas gerados pelo medo que se pode dizer que é um choque violento de onde se desenvolveu ou se pode desenvolver uma neurose. Medo como uma fobia desordenada pode gerar uma neurose.

Diferentemente das diversas fobias que conhecemos, o medo pode gerar uma fobia especial em uma área – a graça, e seu significado em-e-por mim!

Digo isso porque sempre vemos pessoas com traumas vindas do passado – e o passado que digo não é o hereditário e sim o que você viveu nos dias de sua infância, adolescência e juventude, e que influenciou sua vida de forma a caracterizar certas formas de responder as diversas situações vividas hoje – que vivem sofrendo com alguma carga, fobia, e neurose de diversas formas; sejam eles materiais, familiar, conjugal ou até mesmo espiritual – o qual quero enfocar nesta reflexão.

Tirando toda a fobia existencial, relacional, social, familiar – que posteriormente escreverei a respeito – quero ficar apenas com a fobia espiritual e/ou religiosa.

Tal fobia e neurose encontramos em grande quantidade de cristãos em nossas “igrejas”. Uma vez que o evangelho que vemos sendo pregado, e o cristianismo que temos visto ser vivido e anunciado, não tem nada a ver com o Evangelho que é Jesus, e os evangelhos que temos narrados a respeito de Jesus nas Escrituras.

Existe uma aversão à graça de Deus, e isso se deve ao fato de uma total ignorância a respeito do significado real desta graça, as implicações que dela nos advém, a abrangência dela em nossas vidas, as realidades que dela procedem, as mudanças implicadas por tal conhecimento, e a liberdade de ser única e pessoalmente você mesmo em Cristo. Assim vemos que o medo que encontramos hoje – seja nos pastores, obreiros, ou até mesmo nas pessoas que freqüentam as “igrejas” – resulta de uma fobia quanto esta graça, e a total ignorância das implicações dela na vida de um ser-humano.

Em certo sentido, esta fobia resultante do medo, age como repulsa a esta graça gerando no ser – neste sentido nos líderes religiosos – uma fobia existencial que é gerada pela desinstalação que a graça promove em todas as áreas – segurança, poder, certeza, liberdade e etc.

Porque a graça chega te desinstalando de toda realidade vivida até o dia em que é inundado por ela. A graça te coloca numa certeza incerta de crer sem ver, de acreditar sem tocar, de viver sem saber, de ser de Deus pra além de toda a realidade perceptível, tangível, de seguranças e outras realidades que são imprescindíveis para o bem viver do ser, de modo que o justo vive pela fé, e a vive na fé no Filho de Deus, a saber Jesus Cristo o Senhor. E para os líderes religiosos, tal realidade-vivência-e-fé é horrível.

De um outro lado, em um outro pólo, se dá a insegurança da liberdade do poder. Uma vez que quem crê nesta graça já não vive debaixo do julgo de tais líderes, como sendo eles únicos mediadores de Deus entre os homens, muito menos sendo eles os despenseiros das bênçãos divinas, e de forma que já não são eles os que determinam o dia-a-dia dos cristãos – como eram com os fariseus nos dias de Jesus, os quais faziam as interpretações da lei, e segundo tal consciência faziam à aplicabilidade desta realidade discernida no cotidiano humano do povo judeu, sendo eles os que regravam, controlavam e ingeriam a vida dos judeus de uma ponta a outra.

Assim, os líderes religiosos são privados deste poder exercido, daí eles preferirem pregar uma graça barata, sem o explanar das verdades e liberdades que a graça promove, justamente para poder manter o poder de controle acumulado sobre as vidas dos membros dessa confraria chamada “igreja”.

Graça implica em quebra das forças de poder que regem as vidas alheias.

Ouvi outro dia de um presbítero que as pessoas não sabem viver com liberdade, por isso tem que haver regras e disciplinas, porque liberdades excessivas geram libertinagem.

Prova deste medo que a graça pode gerar, é a total ignorância da atuação da graça no ser que a recebe.

Muitos pastores e líderes religiosos vivem este medo e fobia que a graça gera, daí eles sempre querer controlar, e manipular situações e pessoas para poder ter ingerência total na vida delas, ditando as regras, e controlando todos os seus passos na vida.

Uma outra manifestação do medo da graça, é justamente a desinstalação que é gerada por ela na vida de quem a recebe.

Porque na graça você aprende que você é livre em Cristo. E esta liberdade não te condiciona a uma vida neurótica de viver se regrando e flagelando com o medo mórbido de errar. Pelo contrário. A graça gera pacificação no ser.

Vivemos tempos de neurose existencial e espiritual. Porque se tem sido apresentado um Deus carrasco, ruim, neurótico, julgador, que pune quem não o obedece, e que quer uma vida certinha, perfeita, e se você escorrega em uma única coisa, você cai nas mãos deste Deus que é um déspota.

Este Deus, não é o meu Deus.

Este Deus – ouvi outro dia – não aceita nem que os jovens entrem com boné na igreja.

O medo instalado na alma das pessoas, é resultado da imagem deste Deus terrível em sua feiúra, ao passo que se tem medo até de conversar na igreja, porque pastores liberam palavras de maldição em nome desse Deus. E dizem ainda que quer mesmo que Deus pese a mão.
Agora, não é pra viver uma vida extremamente neurótica e cheia de fobia devido ao medo mórbido deste Deus mal? Por isso temos pessoas que quando erram, tropeçam – coisa que é inevitável nesta vida – ficam com um sentimento de culpa enorme, de forma que não conseguem nem orar, porque imaginam um Deus zangado com seu erro, de forma que já antevêem o “castigo” divino, seja ele de forma material, na saúde, financeiro, desemprego, ou ainda por motivo de inadimplência no dízimo, porque este Deus é mal, e requer perfeição, e não aceita pecado, erros, e limitações, e sim, acertos e mais acertos!

O fato das fobias e medos, é que devido termos sidos expostos a todas estas manifestações ridículas deste Deus déspota, vivemos uma vida neurótica na busca da perfeição pelos recursos próprios. Daí vocês verem pessoas que sentem uma necessidade extrema de estar na igreja, sentimentos de culpas por pecados cometidos – os quais Deus já perdoou, mas a pessoa ainda não se apropriou do perdão e fica se martirizando pelo equívoco – estas buscas ridículas extremas por expressões de santidade, seja ela no jejum, seja ela na oração, seja ela no subir do monte, seja ela nos excessos de vigílias, seja ela na busca de provar que consegue por esforço próprio ser merecedor da graça de Deus e das bênçãos de Deus, de forma que no final você pode dizer que foi abençoado por Deus, porque você é fiel, porque você deu o dízimo, porque você freqüenta os cultos assiduamente, ou porque você foi em maior números de vigílias, ou porque você passou horas a fio em oração, daí você ter sido digno de receber a atenção divina. E se no percurso você errar, ou faltar, você se condena, se martiriza, pelo erro. Tem que ficar neurótico, e ter muito medo mesmo deste Deus mostruoso.

No fim, isso é ridículo! Só demonstra sua total ignorância a cerca do que significa ser cristão genuíno.

Mas o meu Deus é diferente. O Deus revelado em Jesus é diferente de toda a descrição feia que fazem Dele.

O meu Deus é amor, misericórdia, e extremamente gracioso.

O medo e fobia se dá no fato de que esta extrema pregação de busca pela perfeição e santidade, gera em nós a vontade de acertar, de ser correto, ser cem por cento verdadeiro.

Mas a graça é a total inutilidade destas coisas. A graça te faz descansar na certeza de ser aceito por Deus em Cristo, de modo que você não vive neuroticamente na busca incessante por perfeição, antes vive cada dia sendo você mesmo.

Como Brennam Manning diz, Deus o ama como você é, e não como você deveria ser, uma vez que você nunca será como deveria ser. Mas Ele é tão gracioso que te aceita e te ama como você é. Ama de forma que nem você se percebe, nem se conhece, nem se encontra como indivíduo, mas Ele te ama mesmo assim.

A graça é assombrosamente linda e libertadora.

De início, ela gera medo, porque você vê que toda a sua vida você nadou, nadou, nadou para morrer na praia. Que todos os seus esforços não serviram de nada, se não para te provar o quanto você age com uma imbecilidade nata. E esta liberdade, gera de início uma insegurança por toda uma vida vivida presa a um sistema maligno. Assim como um animal criado preso, quando você o solta, ele não sabe o que fazer, assim somos todos nós quando somos libertos por esta graça, não sabemos o que fazer com tamanha liberdade.

Mas daí ser necessário a fé. Porque a vida na graça é vivida sem um lugar certo a caminhar, sem palmilhar dias certos, e sim, é um se deixar levar pelo vento que sopra onde quer e ninguém sabe de onde vem nem pra onde vai, apenas ouvimos a sua voz, daí o justo viver pela fé. De modo que a graça não te dá certeza materiais palpáveis e tangíveis e sim, uma certeza de apenas uma coisa: “Eu tenho que crer”.

Com esta fé, você é liberto de todo o medo, de toda a fobia e de toda neurose, porque experimentou a vida em Cristo porque você discerniu que crer Nele, é que gera e produz Vida.

João disse que quando cremos em Jesus como o Filho de Deus, e o aceitamos assim, temos vida em Seu nome. E esta vida, é uma vida de liberdade, pois foi para a liberdade que Cristo vos libertou, e não para vos por debaixo de escravidão ou julgo disse Paulo.

Se pois o Filho vos libertar, disse Jesus, verdadeiramente sereis livres.

Livres de todo o medo, de toda a culpa, de toda maldição, de todo carma, de toda fobia, de toda neurose, de tudo aquilo que nos oprime e nos angustia. Seremos livres, livres e livres.

Nesta fé, seja liberto meu irmão! E receba a paz que vem da Graça de Deus revelada em Cristo Jesus.

Na graça Dele, que tira todo o medo, fobia e neurose, apenas perguntando “Tu me amas, porque se me ama, fique sabendo que Eu te amo e tenho um caminho de liberdade para todos vocês”.

Juliano Marcel
Bragança Paulista
29/07/08
ministerioracaevida@hotmail.com
juliano.marcel@ymail.com
http://www.julianomarcel.blogspot.com/



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